Verão e época de festas alertam para riscos de intoxicação alimentar

Sintomas mais frequentes incluem diarreia, náuseas, vômitos e dor abdominal. Casos leves são tratados com repouso e ingestão de líquidos

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Fim de ano e férias são sinônimos de festas – com muita comida – e diversão. No entanto, as altas temperaturas e a maior ingestão de alimentos no período alertam para os cuidados necessários com o sistema digestivo. A época, marcada pelo aumento de intoxicações alimentares, necessita de atenção redobrada ao consumir os alimentos.

“A intoxicação alimentar ocorre quando ingerimos alimentos ou água contaminados com microrganismos, como bactérias e vírus. As bactérias mais comuns associadas à gastroenterite, também conhecida como intoxicação alimentar, são a Salmonella, Shigella e E. Coli. Já o vírus mais comum é o rotavírus”, explica a referência técnica distrital em gastroenterologia, Daniela Mariano Carvalho Louro.

De acordo com a especialista, a contaminação pode ocorrer durante o preparo, o armazenamento, quando o alimento pode sofrer fermentação – devido ao calor excessivo – favorecendo a proliferação dos microrganismos ou ainda ao entrar em contato com fezes de animais contaminados.

Sintomas e tratamento

A gastroenterite é uma doença autolimitada, com duração aproximada de três a sete dias. Os sintomas mais comuns incluem: dor abdominal, diarréia, febre baixa, náuseas, cólicas abdominais, vômitos, cansaço, fraqueza e desidratação.

Os casos leves, conforme explica a especialista, são tratados em sua maioria com repouso, dieta constipante – que favorece a prisão de ventre – e ingestão de líquidos. Nos casos mais severos, além de auxílio médico, pode ser necessário o uso de medicamentos para o controle de vômitos e antibióticos, para as infecções bacterianas.

“Nos quadros mais graves, principalmente em idosos e crianças, pode ocorrer desidratação e queda da pressão arterial. Em caso de desidratação, é recomendado fazer a dosagem de eletrólitos, como sódio e potássio, por exemplo, além de verificar a função renal. É preciso buscar ajuda médica”, explicou a especialista.

Prevenção

Apesar do tratamento prático em casos leves, a prevenção é fundamental e envolve práticas de higiene durante a manipulação, preparo e armazenamento dos alimentos.

De acordo com a nutricionista Alessandra Sacramento, da Gerência de Alimentos da Vigilância Sanitária do Distrito Federal (Geali), algumas orientações são essenciais para evitar o contágio e prevenir a intoxicação alimentar, como lavar bem as mãos, utilizar água potável na preparação dos alimentos, higienizar e atentar-se para os cuidados com a temperatura e embalagem dos alimentos.

“A desinfecção de frutas e hortaliças deve ser realizada em três etapas: lavagem para retirar as sujeiras visíveis; imersão em solução clorada por 15 minutos; e o enxágue em água corrente limpa”, explica a profissional de nutrição.

Como no período de verão e de férias, as saídas para restaurantes, bares e quiosques costumam aumentar, a gerente da Geali, Dillian Silva, também destaca alguns cuidados e observações nos locais que servem alimentos. A higiene, limpeza geral, o uso de uniformes, proteção dos cabelos e atenção aos sinais de possíveis alterações nos alimentos são pontos ressaltados pela profissional.

“Nos serviços realizados por empresas de buffet ou adquiridos sob encomenda é importante observar as embalagens, se ocorreu o transporte em veículo apropriado e sob temperatura controlada, por exemplo. Se possível, verificar o licenciamento sanitário atualizado do estabelecimento”, destacou a gerente.

Por Jornal de Brasília

Foto: Dênio Simões/Agência Brasília / Reprodução Jornal de Brasília