Estudantes do Paranoá recebem presentes pedidos em cartas para Papai Noel

Escola Classe Comunidade de Aprendizagem do Paranoá cria rede de apoio com voluntários para realizar pedidos de Natal dos estudantes de 5 a 11 anos

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O Natal “é tempo de amorosidade” na Escola Classe Comunidade de Aprendizagem do Paranoá (CAP). O tema da festa refletiu o clima do colégio nesta quarta-feira, quando cada um dos 395 alunos recebeu um presente com a visita do Papai Noel. As crianças, com idades entre 5 e 11 anos, escreveram cartinhas de Natal com seus pedidos, e brincaram à beça na festa que antecede as férias escolares.

A campanha de adoção de cartas de Natal é realizada há cinco anos pelos professores da CAP. Em 2018, a escola foi contemplada pelo Papai Noel dos Correios, mas como deixou de ser atendida no ano seguinte, os professores arregaçaram as mangas para levar a ideia adiante.

Como as crianças são moradoras do Itapoã, Itapoã Parque, Paranoá, e Paranoá Parque — regiões vulneráveis do Distrito Federal —, os educadores fazem questão de que todas recebam presentes.

Por meio do perfil @capparanoa, os professores divulgaram fotos e vídeos dos alunos para incentivar a participação da comunidade no projeto beneficente. Ao adotar uma carta, o voluntário pôde transferir o valor do presente ou entregá-lo pessoalmente na Comunidade de Aprendizagem.

Daniel Augusto Araujo, 8 anos, faz coleção de cartas de Pokemón e pediu um novo baralho em sua cartinha. Ele ganhou também um cubo mágico tradicional e um em formato de pirâmide que acha “mais difícil”. “Natal é tempo de felicidade e de passar tempo com a família”, diz ao mostrar os brinquedos. Da escola, o que ele gosta mais são as atividades de matemática e português.

Na sala de aula do 2º período, a aluna Natali dos Santos, 5, abraça a “elfa” assistente do Papai Noel enquanto se emociona com o presente-surpresa dos professores, uma bicicleta. Tímida, foi aplaudida pelos colegas de turma.

Uma cartinha escrita por um aluno do 3º ano pediu outro presente: “Papai Noel, neste Natal quero ganha (sic) de presente um caminhão de controle remoto. Ou um ônibus na cor amarelo (sic). Mas ficarei muito feliz com o presente que enviar. Feliz Natal.” E teve um final feliz.

Proposta pedagógica

Como Comunidade de Aprendizagem, a escola foi idealizada por um grupo de professores vinculados à Secretaria de Educação que tinham como objetivo fundar um espaço inovador, voltado para a sensibilização do senso crítico, protagonismo, e valorização da comunidade. “Estruturamos esse projeto para ser executado dentro de uma escola pública. Trazemos uma proposta dialógica que insere as crianças nos processos decisórios da escola. Construímos coletivamente as regras dos espaços de convivência, por exemplo”, explica a diretora Renata Resende.

Em 2013, a educadora fazia parte de um grupo vinculado a um projeto de extensão na Universidade de Brasília (UnB) chamado “Forma Autonomia” em que os professores trocavam experiências pedagógicas. O projeto era ligado à Conferência Nacional de Alternativas para Outra Educação (Conane). “Nos vinculamos ao professor José Pacheco, da Escola da Ponte (em Portugal), que foi um dos nossos mentores. Hoje, a CAP é uma escola com uma proposta sólida, que estrutura aprendizagem significativa e respeito para dar voz ativa às crianças, proporcionando uma educação de qualidade dentro de uma escola pública em uma área de grande vulnerabilidade”, enfatiza.

A campanha

O projeto teve início em novembro, quando os alunos escreveram as cartinhas em sala de aula. A vice-diretora Daniella Maria Varella explica que é importante as crianças terem um espaço para pedir “o que vem do coração delas”, sem influências externas. “Com frequência, temos pedidos de alimentos, materiais escolares, presentes para os irmãos… E são as crianças que pedem para as famílias”, destaca. “É uma maturidade (precoce) que não permite, muitas vezes, que elas peçam nem um brinquedo para elas mesmas”, diz Daniella.

“Os alunos vão acompanhando no calendário até chegar o dia da festa com os brinquedos infláveis, o Papai Noel, e o presente que foi o escolhido por eles — não foi uma coisa usada e que alguém não quer mais. É uma valorização do desejo deles, mostramos que o que eles querem, eles podem ter”, afirma Daniella.

Por Giulia Luchetta do Correio Braziliense

Foto: Ed Alves/CB/DA.Press / Reprodução Correio Braziliense