O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) lançou uma campanha em celebração aos 20 anos da Lei Maria da Penha, com foco no direito das mulheres sobreviventes de violência reconstruírem suas vidas. A iniciativa busca deslocar o olhar da violência para a força de quem sobreviveu e destaca a importância da rede de proteção, do acolhimento e do acesso à Justiça para garantir que vítimas possam viver sem medo.
Com o tema voltado ao fortalecimento da autonomia das mulheres, a campanha chama atenção para os desafios enfrentados por quem sobrevive a uma tentativa de feminicídio. Segundo o MPDFT, embora escapem da morte, muitas vítimas continuam convivendo com traumas físicos, emocionais, sociais e econômicos, além do receio constante de novos episódios de violência.
“Durante muito tempo, a atenção da sociedade esteve concentrada na violência. Nesta campanha, escolhemos voltar o olhar para quem sobreviveu e para a rede de apoio que torna possível a reconstrução de uma vida. É importante responsabilizar os agressores, mas também precisamos mostrar que existem caminhos para o recomeço”, enfatiza a promotora de Justiça Adalgiza Aguiar, coordenadora do Núcleo de Gênero do MPDFT.
A ouvidora das Mulheres do MPDFT, promotora de Justiça Mariana Nunes, destaca que o acesso à informação e a uma escuta qualificada pode ser decisivo para romper o ciclo da violência. “Muitas mulheres chegam até nós acreditando que não têm saída. Nosso papel é acolher, orientar e mostrar que elas têm direitos e não precisam enfrentar esse processo sozinhas. Muitas vezes, o primeiro passo para o recomeço é encontrar um espaço seguro para ser ouvida e amparadas”, disse.
Recomeço
A campanha também apresenta o relato da ativista e empresária Jéssica Citro, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio e atendida pelo Projeto Amparar. “Descobri que existiam canais que a sociedade nem sabe que existem, como a Ouvidoria das Mulheres, e que eu podia ter contato direto com a promotora responsável pelo meu caso. Mas, acima de tudo, foi o suporte psicológico que me deu forças para sair do ciclo de violência que eu estava vivendo”, afirmou.
Segundo ela, foi durante o acolhimento que conheceu direitos e encontrou apoio para reconstruir a própria vida. A partir dessa experiência, criou o movimento “Correndo ou Pedalando contra o Feminicídio”, iniciativa que busca dar visibilidade ao enfrentamento da violência contra a mulher e ampliar a voz de quem ainda vive com medo ou permanece silenciada.
Denúncia
Dados da Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios (CTMHF) reforçam a importância da denúncia e do fortalecimento da rede de proteção. No primeiro semestre de 2026, seis em cada dez vítimas de tentativa de feminicídio haviam sofrido violência doméstica anteriormente. Entre os casos analisados, 13 mulheres haviam registrado ocorrências contra o mesmo agressor, enquanto outras 16 relataram episódios anteriores de violência, mas não formalizaram denúncias.
Além da campanha, o MPDFT destaca a atuação do Projeto Amparar, desenvolvido pelo Núcleo de Atenção às Vítimas (Nuav), que oferece acolhimento humanizado, orientação jurídica, apoio psicossocial e encaminhamento à rede de serviços para sobreviventes de tentativa de feminicídio e familiares de vítimas de crimes letais.
“Mais do que acompanhar um processo judicial, o Amparar fortalece a autonomia das vítimas e contribui para que elas reconstruam suas trajetórias com segurança. Para cada vítima, é traçado um plano individual, de acordo com as necessidades e vulnerabilidades. Ao reconhecer que o trauma não termina quando a agressão cessa, o projeto traduz, na prática, o propósito da campanha dos 20 anos da Lei Maria da Penha: assegurar que sobreviver seja também a oportunidade de recomeçar e viver sem medo”, explicou a promotora de Justiça Thais Tarquino, coordenadora do Nuav.
Ajuda
O Projeto Amparar atende vítimas de tentativa de feminicídio e familiares de vítimas de feminicídio, homicídio, latrocínio, crimes no trânsito com resultado morte e lesão corporal seguida de morte. Para receber o apoio da iniciativa, você deve solicitar atendimento por meio do preenchimento de formulário online.
Serviço
WhatsApp: (61) 99635-6929
E-mail: amparar@mpdft.mp.br
Endereço: Promotoria de Justiça de Brasília II – MPDFT, SMAS (Setor de Múltiplas Atividades Sul), Trecho 4, Lotes 6/8, Brasília-DF (ao lado do Fórum Desembargador José Júlio Leal Fagundes)
Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 12h às 19h
Fonte Correio Braziliense
Foto: Pacífico











