O resultado da nova pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política para a Câmara dos Deputados mostrou um cenário marcado por mudanças na posição dos principais candidatos em relação ao levantamento anterior, divulgado em 3 de setembro. Na pesquisa espontânea, quando o eleitor cita livremente o nome no qual pretende votar, o distrital Fábio Félix (PSol) aparece na primeira colocação, com 3,98%. Na sequência, estão o deputado federal Rafael Prudente (MDB), com 2,74%, e Júlio César (Republicanos), com 2,21%.
O levantamento aponta oscilações entre os nomes que já figuravam na rodada anterior. Prudente, que havia liderado o levantamento de setembro, com 3,7%, agora aparece em segundo. Fred Linhares (Republicanos), que ocupava a segunda posição anteriormente, com 3%, caiu para a sexta colocação, com 1,41%.
Entre os que avançaram está o senador Izalci Lucas (PL), que passou de 0,5% para 2,03% das citações espontâneas e deixou a 10ª posição para ocupar o quarto lugar. Alberto Fraga (PL) também apresentou crescimento, de 1,6% para 1,94%, mantendo-se na quinta colocação.
O levantamento foi realizado em 31 regiões administrativas, ouvindo 1.132 eleitores a partir de 16 anos. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-03622/2026
Repercussão
Fábio Félix (PSol), que disputa pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados, atribuiu o bom desempenho na pesquisa ao trabalho desenvolvido como deputado distrital e à atuação no caso BRB-Master. O candidato adotou cautela ao comentar a liderança. “Vamos continuar nossa campanha militante nas ruas e nas redes, bastante dedicados também à reeleição de Lula e a levar Leandro Grass para o segundo turno”, acrescentou.
Júlio César Ribeiro (Republicanos) acredita que o terceiro lugar no levantamento se deve ao reconhecimento do trabalho realizado por ele no Distrito Federal. O deputado federal ressaltou, no entanto, que pretende manter o contato com os eleitores durante a campanha. “Vejo isso como um reconhecimento do trabalho, mas também como um compromisso de seguir ouvindo a população e trabalhando”, declarou.
Quarto colocado na pesquisa, Izalci Lucas (PL) destacou o crescimento em relação ao levantamento anterior. “Nossa campanha tem presença, tem propostas e tem uma história para apresentar. Estamos levando essa mensagem para todas as regiões do DF e tendo uma receptividade cada vez maior”, declarou.
Procurado para comentar o levantamento, Rafael Prudente (MDB) não respondeu até o fechamento desta edição.
Análise
Para Robson Carvalho, pesquisador do Instituto de Ciência Política (IPOL) da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em ciência política, pesquisas para cargos proporcionais devem ser interpretadas de maneira diferente dos levantamentos para eleições majoritárias. “Pesquisas para deputado federal, assim como qualquer outra para cargos proporcionais, apenas indicam nomes de candidatos mais lembrados pela população”, afirmou.
O pesquisador ressaltou que o desempenho individual de um não determina, por si só, a conquista de uma cadeira na Câmara dos Deputados. “Um candidato, mesmo com votação expressiva, pode não ser eleito, a depender do partido ou da federação na qual ele esteja. E candidatos podem ser eleitos com menos votos do que outros. No sistema proporcional, você pode, em uma federação, votar em um candidato, mas eleger outro que tenha sido mais votado do que ele”, explicou.
Ao analisar o desempenho de Fábio Félix (PSol), que aparece na liderança da pesquisa, Carvalho destacou a existência de um eleitorado mais identificado com o parlamentar. “Ele possui um voto que marca fortemente o campo progressista e LGBTQIAP+. É, portanto, um voto mais sólido e mais difícil de ser perdido para outro candidato que atua, por exemplo, concentrado em determinadas áreas administrativas”, afirmou.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Arquivo pessoal












