Furtos de cabos de energia elétrica crescem 49% no Distrito Federal

O Distrito Federal teve um aumento significativo nos casos de furto de cabos de energia elétrica. De acordo com a Neoenergia Brasília, em 2025, foram registrados 391 furtos efetivos, um crescimento de 49% em relação a 2024, quando houve 263 furtos efetivos. O prejuízo estimado pela companhia é de R$ 717,8 mil. Entre furtos e tentativas de furto de cabos, o ano passado teve 1.108 ocorrências, uma média superior a três casos por dia, que afetam mais de 100 mil clientes na capital. A região mais crítica é o Plano Piloto, incluindo Asa Norte e Asa Sul, que concentrou 602 registros. Em seguida, a cidade de Águas Claras, com 120 casos no ano passado.

Um dos episódios mais recentes aconteceu na quadra 412 Sul, onde comerciantes ficaram sem fornecimento de energia na última segunda (2) e tiveram o serviço restabelecido somente ontem, às 15h29, após a manutenção da campanhia responsável. A ação criminosa deixou lojas fechadas, causou prejuízos financeiros e reforçou o sentimento de insegurança entre trabalhadores da região.

Um dos comerciantes afetados foi Horácio Souza Silva, 67 anos. Ele relatou que o problema foi percebido logo no início do expediente. “Chegamos para trabalhar e fomos surpreendidos com esse problema. A Neoenergia esteve aqui ontem (na segunda), localizou o problema e comentou comigo que até o meio-dia estaria pronto, mas eles só vieram hoje (ontem) para fazer o serviço. Quer dizer, ficou todo mundo aqui no prejuízo”, disse.

Horácio destacou o sentimento de insegurança diante da repetição dos crimes. “Fico revoltado como isso nunca é combatido. A gente soldou uma caixa aqui, mas os criminosos conseguiram quebrar e tirar os cabos. Com certeza, somos os mais prejudicados, porque um dia sem trabalho é um dia sem ganhar dinheiro”, afirmou.

A gerente de uma confeitaria Josinete Pereira da Silva, 42, também relatou que esta não foi a primeira vez que o problema ocorreu. “Já é a segunda vez em pouco tempo que isso acontece. Estamos na semana de pagamento, a gente precisa trabalhar, a gente tem nossas contas pra pagar. A loja está fechada”, ressaltou. 

Josinete afirmou que o sentimento é de frustração. “Ficamos de mãos atadas e sem ter o que fazer, porque a gente precisa trabalhar. Na minha visão, acho que eles deviam reforçar a questão da vigilância, porque não é só a nossa loja, é a quadra inteira que está sem funcionar, e isso é um absurdo”, enfatizou.

Vitória Souza, 26, manicure que trabalha em um salão de beleza da quadra, explicou que, embora consiga realizar alguns atendimentos sem energia, a maioria dos serviços fica comprometida. “As cabeleireiras não conseguem trabalhar porque fazem escova, e a gente depende de energia. Se o celular descarregar, também não tem como marcar cliente nem receber pagamento”, citou.

Segundo o gerente da Neoenergia, Hudson Thiago, os impactos são diretos para a população. “O furto de cabos atinge diretamente os clientes. Cada ocorrência provoca interrupções no fornecimento, oscilações e até queima de equipamentos, afetando milhares de clientes. O serviço para recompor a rede elétrica é complexo e pode levar horas”, afirmou.

Esquema

A Polícia Civil do Distrito Federal, por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), acompanha o avanço desse tipo de crime. O delegado Thiago Carvalho explicou que os furtos são praticados, principalmente, por dois grupos. “A maior parte desses crimes acaba sendo cometida por pessoas em situação de rua, que subtraem essa fiação para sustentar o vício em substâncias entorpecentes”, contou.

Segundo ele, há, também, a atuação de organizações criminosas estruturadas. “Conseguimos, no ano passado, deflagrar uma grande operação relacionada não só aos indivíduos que estavam subtraindo o cobre, mas especialmente àqueles que estavam comercializando esse cobre de maneira ilícita, os receptadores, grandes empresários ligados a lojas de reciclagem, e que trabalham com ferro-velho”, disse.

O delegado detalhou que o material que é subtraído acaba sendo descaracterizado para outro tipo de uso. “O material é derretido e dali se extrai o cobre de uma maneira, inclusive, que não é possível identificar qual é a origem daquela matéria, justamente porque foi queimado e descaracterizado. Acaba retornando em uma cadeia criminosa para as grandes indústrias, e posterior fabricação e uso em tantos setores da sociedade civil que fazem uso desse material”, destacou Carvalho.

Denúncias

Como reforço no combate a esses crimes, a Polícia Civil do DF criou um canal específico de denúncias anônimas para casos de furto e roubo de cabos de energia elétrica. O sistema permite o envio direto de informações, de forma simples e segura, garantindo o anonimato do denunciante.

As denúncias podem ser feitas pelo 197, com atendimento 24 horas, além de e-mail, WhatsApp e denúncia on-line. A PCDF orienta que a população informe o máximo de detalhes possíveis para auxiliar nas investigações.

Por Gazeta do DF
Fonte Correio Braziliense
Foto: Davi Cruz/CB/D.A Press