O filme “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, está sendo fortemente cotado como um dos favoritos para o Oscar 2026, especialmente após sua recepção positiva em festivais de cinema, com elogios para a direção de Chloé Zhao (vencedora de “Nomadland”) e as atuações de Jessie Buckley e Paul Mescal.
A trama, que explora o luto de Agnes (esposa de Shakespeare) pela perda do filho, é visto como um forte concorrente em categorias como Melhor Filme, Direção, Atriz e Roteiro Adaptado, e tem estreia prevista para dia de 15 de janeiro de 2026 no Brasil.
Mas você sabia que o filme é inspirado no romance histórico “Hamnet”, escrito pela autora irlandesa Maggie O’Farrell e lançado originalmente em 2020?
A história se passa em 1596, quando Hamnet, o filho de 11 anos de William Shakespeare, morre em uma pequena cidade da Inglaterra por causas desconhecidas. Poucos anos depois, o dramaturgo escreveria aquela que muitos consideram sua obra-prima, batizando o herói trágico da peça com uma variação do nome do filho perdido.
Quase quatro séculos mais tarde, a escritora Maggie O’Farrell ouviu falar de Hamnet ainda na adolescência, durante uma aula na escola. A curiosidade despertada naquela época se transformou, décadas depois, em um romance premiado e arrebatador que, sem nunca mencionar diretamente o nome de Shakespeare, mergulha na intimidade de sua família.
O foco está na figura da mãe do menino, chamada de Agnes pela autora, outra possível variação do nome da esposa do dramaturgo, e em suas tentativas desesperadas de salvar o filho.
A mãe, retratada como uma mulher excêntrica, livre e profundamente conectada à natureza, costuma caminhar pela propriedade da família com um falcão pousado na luva e possui dons extraordinários, como a capacidade de prever o futuro, ler as pessoas e curá-las com poções e plantas.
O personagem mais famoso da história permanece sem nome. No romance, ele é tratado apenas como “seu marido”, “o pai” ou “o tutor de latim”. Filho de um luveiro em decadência e malvisto na cidade, ele se casa com Agnes, alguns anos mais velha e herdeira de uma porção significativa de terras. Juntos, têm três filhos: uma menina e um casal de gêmeos.
Após o casamento, Agnes se torna uma mãe extremamente protetora, enquanto o marido parte para Londres em busca de reconhecimento como dramaturgo. A distância e o cotidiano já frágil do casal são profundamente abalados quando Hamnet morre após uma febre repentina, deixando a família marcada por uma dor irreparável.
Vencedor do Women’s Prize for Fiction em 2020 e amplamente aclamado pela crítica, o livro é um retrato delicado e comovente de um casamento, uma família devastada pelo luto e a reconstrução sensível da memória de um menino esquecido pela história, mas eternizado no título de uma das peças mais célebres de todos os tempos.
Por Gazeta do DF
Fonte CNN Brasil
Foto: Divulgação












