Busca pelos votos dos indecisos na corrida ao Congresso Nacional

Com disputas abertas para o Senado e para a Câmara dos Deputados, candidatos repercutem nova pesquisa Correio/Opinião e intensificam estratégias para conquistar eleitores que ainda não definiram o voto, faltando 30 dias para o pleito

Os resultados da terceira rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política para o Senado e a Câmara dos Deputados mostraram uma movimentação na disputa eleitoral no DF. Candidatos citados no levantamento comemoraram o desempenho, projetaram os próximos passos da campanha e avaliaram o cenário desenhado pelo eleitorado, a exatos 30 dias das eleições de 2026.

A disputa pelas duas cadeiras do Distrito Federal no Senado Federal aparece cada vez mais acirrada. Michelle Bolsonaro (PL) voltou à liderança na consulta estimulada, com 21% das intenções de voto. Logo atrás, a senadora Leila do Vôlei (PDT), que busca a reeleição, aparece com 17,8%.

A deputada federal Erika Kokay (PT) ocupa a terceira posição, com 12,2%, em empate técnico com a também deputada federal Bia Kicis (PL), que registra 11,6%. Na quinta colocação, Sebastião Coelho (Novo) soma 3,1% e aparece em empate técnico com o Professor Guilherme Amorim (UP), que registra 2,2%.Play Video

Ao Correio, Leila do Vôlei afirmou que o resultado é o reconhecimento do trabalho feito nos últimos anos. “Nosso mandato trabalhou muito e tem resultados em todas as regiões do DF. Mas é também um reconhecimento de um trabalho coerente, feito por quem acredita no diálogo, por quem é ficha limpa, por quem tem suplentes preparados”, disse. Leila destacou que seguirá trabalhando pelo Distrito Federal, caso eleita. “Vamos seguir trabalhando para honrar essa confiança e mostrar que ainda temos muito a fazer por Brasília”, ressaltou.

Erika Kokay afirmou ter certeza de que estará no Senado Federal. “Por onde passo, tenho recebido o carinho das pessoas e o reconhecimento do trabalho nestes 50 anos de luta e quase 24 anos de mandatos. Brasília não vai permitir ser representada por quem não respeita a democracia, a soberania e não tem história nesta cidade”, completou.

Sebastião Coelho disse receber o resultado com muita tranquilidade e pontuou que os números mostram que o cenário para o senador ou a senadora no DF não está definido. “Meu partido não tem tempo de televisão e estamos focando a campanha no contato direto com o eleitor e nas redes sociais”, destacou o candidato.

O Professor Guilherme Amorim celebrou a pontuação na pesquisa e ressaltou que sua candidatura tem a menor rejeição registrada no levantamento. “A tendência expressa nas pesquisas é de que a nossa candidatura, até o fim da eleição, cresça e possamos ser eleitos, tendo no Senado um professor para representar os interesses dos trabalhadores”, afirmou. 

Panorama

A dinâmica de votação dupla para o Senado neste pleito tem induzido o eleitor a alinhamentos ideológicos mais definidos. Para Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium Consultoria, essa particularidade abriu espaço para alianças estratégicas nos dois lados da disputa. 

“No contexto dessa disputa muito equilibrada para o Senado, há uma estratégia de ambos os lados que tem se destacado, sendo a do ‘efeito de arrasto’ entre pares: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis estão fazendo praticamente uma campanha única pelo campo bolsonarista, enquanto Leila e Erika Kokay tentam repetir esse movimento do voto duplo no lado ideologicamente oposto”, avaliou.

Para além do engajamento dos polos, o especialista apontou que a chave para a definição das duas vagas estará no aproveitamento da grande massa de indecisos na reta final da campanha. “Sobre a conquista do eleitorado, é obrigatório destacar que quase metade dos entrevistados (46,7%) não sabem seu voto espontâneo, sendo esse dado o que tende a orientar as estratégias dos candidatos ao Senado nesta reta final”, explicou. 

Os indecisos, segundo Gabiati, raramente se recordam de propostas específicas de candidatos ao Senado. “Por isso, mensagens simples, diretas e repetidas — focadas no nome, no número e em um tema único, por exemplo — tendem a ser muito mais efetivas nesse formato de campanha de tempo curto”, sintetizou o cientista político.

As candidatas Michelle Bolsonaro e Bia Kicis não se manifestaram sobre o resultado da pesquisa até a publicação desta matéria.

Candidaturas alternativas podem crescer

Diferentemente da pesquisa para o Senado, o levantamento sobre a disputa por vagas na Câmara dos Deputados foi realizado de forma espontânea, sem a apresentação de nomes aos entrevistados. O deputado federal e candidato à reeleição Rafael Prudente (MDB) aparece entre os mais lembrados, com 3,7% das citações. 

Ao Correio, Prudente afirmou receber o resultado com alegria e disse que a primeira posição é fruto do reconhecimento recebido pelos eleitores. Segundo ele, a campanha eleitoral tem sido feita no corpo a corpo com a população. “A gente continua nas ruas, ouvindo as pessoas, prestando contas daquilo que a gente fez, e vamos fazer isso até o último dia, fazendo campanha nas ruas e levando a nossa mensagem ao maior número possível de pessoas”, disse o candidato. 

Prudente destacou que a expectativa é de vitória. “Agora vamos aguardar a nossa pesquisa mesmo, em 4 de outubro, quando espero poder celebrar com a população de Brasília mais uma vitória”, enfatizou. 

Fred Linhares (Republicanos-DF) apareceu em segundo lugar no levantamento, com 3% das intenções de voto, em empate técnico com Prudente. O deputado federal, que também busca a reeleição, afirmou receber o resultado com gratidão, mas destacou que não mudará sua rotina. “Desde que fui eleito, meu compromisso é estar perto das pessoas, ouvir as demandas de cada região do DF e trabalhar todos os dias por resultados concretos”, ressaltou.

O candidato disse que ser reconhecido pelos eleitores um mês antes da eleição é um bom sinal. “Ver esse reconhecimento, nesta fase da campanha, reforça que estamos no caminho certo. Vou seguir trabalhando com os pés no chão”, declarou. 

Reta final

Na segunda rodada da pesquisa realizada pelo Correio, em 5 de agosto, 67,2% dos entrevistados não sabiam em quem votar para deputado federal. Na mais recente, a porcentagem caiu para 56,1%.

Cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Medeiros explicou que o alto índice de indecisos na consulta espontânea reflete o comportamento tradicional do eleitorado nas disputas proporcionais. “Na eleição para deputado federal, a decisão costuma ser tomada muito perto do dia da votação. Como mais da metade do eleitorado ainda não definiu um nome, existe um espaço gigantesco para crescimento de candidaturas alternativas nesta reta final”, analisou o especialista.

Medeiros pontuou que os líderes do levantamento enfrentam o desafio de manter a preferência do eleitorado até a abertura das urnas. “Para quem aparece na frente, como Rafael Prudente e Fred Linhares, o objetivo agora é consolidar essa vantagem. Não basta aparecer bem no levantamento; é preciso fidelizar esse eleitor e transformar a intenção de voto em voto efetivo no dia da eleição”, observou.

O consultor enfatizou que, diante da quantidade expressiva de postulantes à Câmara dos Deputados, a diferenciação e a intensidade das agendas serão determinantes para o sucesso das campanhas. “Quem não constrói uma identidade clara corre o risco de desaparecer no meio da multidão. O candidato precisa ser associado a uma trajetória, a uma causa, a uma região do DF ou a uma pauta bem definida. Ser lembrado exige campanha em intensidade máxima, acelerando a presença nas ruas, o engajamento nas redes e o uso estratégico do horário eleitoral”, ressaltou Murilo Medeiros.

Pesquisa

O levantamento foi feito entre 29 e 31 de agosto e tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de confiança. Foram consultados 1.121 moradores de 31 regiões administrativas do Distrito Federal. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-04936/2026.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Minervino Júnior/CB