Há pouco menos de uma semana para o início da Copa do Mundo, torcedores de Brasília demonstram esperança na Seleção Brasileira de futebol, repetindo uma tradição: pintar as ruas nas cores da bandeira nacional. Na quadra 216 da Asa Norte, por exemplo, moradores se uniram para decorar uma calçada.
O artista urbano Pedro Sangeon, mais conhecido como Gurulino, decidiu retornar com a prática que fazia quando criança. Ele conta que a nostalgia e o incentivo da esposa nortearam o projeto. “Tem muita nostalgia aqui e percebemos na pandemia que as pessoas perderam essa tradição de pintar as ruas. Aí, minha esposa me sugeriu propor uma movimentação na vizinhança”, disse.
Após conversar com a prefeita da quadra, o projeto teve início. A calçada escolhida para receber a pintura passou por uma recente reforma. “Quando a reforma foi finalizada, eu enxerguei um imenso potencial de fazer uma pintura nesse espaço”, explicou Gurulino. Com o local escolhido e as tintas compradas, o próximo passo era conseguir mais pessoas para realizar a pintura.
A divulgação pelas redes sociais foi muito bem sucedida. O artista explica que foi até uma surpresa ver tanta movimentação popular em prol da decoração. “Bombou de gente aqui. Muitos pais, acompanhados dos filhos, e adultos vieram nos ajudar. Está sendo uma experiência muito intensa e alegre”, disse. Pedro avalia que essa experiência ficará na memória das crianças. É uma forma de trazer de novo a potência da arte e tirar as crianças um pouco desse mundo digital que elas vivem”, acrescentou.
A pequena Júlia, de 10 anos, conta que foi a primeira vez que ela fez pinturas para a Copa. Apesar do cansaço e das dores nas costas, ela crava que valeu a pena. “É bem divertido, muito legal participar dessa pintura. Dói um pouco as costas, mas vai ficar muito bonito quando terminarmos”, disse.
Vizinha de Júlia, a artista Natália Araújo comenta que a decoração e a movimentação dos pais é importante para nutrir o imaginário das crianças. “A Copa do Mundo é o momento que a gente deixa a individualidade de lado e temos esse grande sentimento de coletividade. Isso também é importante para as crianças, para trabalhar esse sentimento nelas”, afirmou.
Ainda pensando no bem-estar das pessoas em volta, as tintas foram escolhidas para não oferecer riscos à saúde. “Escolhemos um esmalte sintético à base d’água. Esse material adere muito bem ao concreto e não é tóxico como o esmalte sintético normal”, explicou Pedro.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press














