O enfrentamento à violência de gênero no Distrito Federal atingiu a marca de uma prisão realizada a cada uma hora e meia. Segundo o mais recente relatório da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), houve a detenção de 5.588 agressores ao longo do ano, o que significa que, para cada quatro crimes denunciados, um criminoso foi preso em flagrante.
Esse volume de prisões ocorre em um cenário de alta demanda: foram 23.066 ocorrências registradas no período, evidenciando que a violência contra a mulher permanece como um dos maiores desafios de segurança pública na capital federal.
A análise estatística da Subsecretaria de Gestão da Informação (SGI) revela um padrão geográfico e temporal preocupante para as mulheres brasilienses. A imensa maioria dos abusos — cerca de 69,4% — acontece dentro do ambiente doméstico, onde a vítima deveria estar segura.
O levantamento aponta que o domingo é o dia de maior risco, concentrando 19% dos casos, e os finais de semana como um todo respondem por 36% das ocorrências, especialmente durante o período noturno. No que diz respeito à natureza da violência, a agressão psicológica é a mais prevalente, aparecendo em 77% dos registros, enquanto a violência física foi identificada em 29,3% dos episódios reportados.
Reincidência
O perfil das vítimas traçado pelo estudo mostra uma concentração em mulheres jovens, com 32,3% das vítimas situadas na faixa dos 18 aos 29 anos e 30,9% entre os 30 e 39 anos. Um dos dados mais alarmantes é o índice de reincidência: das mais de 20 mil mulheres que buscaram ajuda, 12,8% registraram duas ou mais ocorrências no mesmo ano, o que demonstra a dificuldade de romper ciclos de abuso persistentes. Entre os agressores, a autoria masculina é predominante em 89,5% das investigações elucidadas, reforçando o caráter estrutural desse tipo de criminalidade.
Para combater essa realidade, o GDF tem apostado na integração entre punição e tecnologia. Houve um crescimento de 17,3% nos casos de descumprimento de medidas protetivas, o que levou à ampliação de programas como o Viva Flor e o Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP).
Atualmente, centenas de pessoas são monitoradas via georreferenciamento, no qual os agressores utilizam tornozeleiras eletrônicas e as vítimas portam dispositivos de alerta imediato. Além da repressão, a rede de apoio foi fortalecida com auxílios financeiros, como o Aluguel Social e o programa Acolher Eles e Elas, focado em órfãos do feminicídio, buscando garantir que a mulher tenha condições econômicas de abandonar o ambiente de violência e reconstruir sua vida com segurança.
Onde pedir ajuda
» Ligue 190: Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Serviço disponível 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.
» Ligue 197: Polícia Civil do DF (PCDF). E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.brWhatsApp: (61) 98626-1197. Site: www.pcdf.df.gov.br/servicos/197/violencia-contra-mulher.
» Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, canal da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres. A denúncia pode ser feita de forma anônima, 24h por dia, todos os dias. Ligação gratuita.
» Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher(Deam): funcionamento 24horas por dia, todos os dias.
Deam 1: previne, reprime e investiga os crimes praticados contra a mulher em todo o DF, à exceção de Ceilândia.
Endereço:EQS 204/205, Asa Sul.Telefones: 3207-6172 / 3207-6195 / 98362-5673. E-mail: deam_sa@pcdf.df.gov.br.
Deam 2: previne, reprime e investiga crimes contra a mulher praticados em Ceilândia. Endereço:St. M QNM 2, Ceilândia.Telefones: 3207-7391 /3207-7408 / 3207-7438.
Por Gazeta do DF
Fonte Correio Braziliense
Foto: ED ALVES/CB/D.A.Press














