Wagner Moura entra para lista dos 50 mais influentes dos EUA, diz jornal

The Washington Post destaca ator brasileiro como exemplo de artista que se posiciona publicamente sobre suas convicções políticas, após primeira indicação ao Oscar

O ator Wagner Moura, 49, indicado ao Oscar pelo filme “O Agente Secreto”, entrou para a lista das 50 personalidades mais influentes dos Estados Unidos, publicada pelo jornal The Washington Post.

A reportagem da jornalista Jada Yuan coloca Moura entre os atores que não apenas apoiam causas, mas se posicionam publicamente sobre suas convicções políticas.

O “Post Next 50” é a lista anual do The Washington Post que identifica as pessoas que estão ativamente reformulando como os EUA pensam, trabalham, se conectam e criam.

Lançada em 2025, a iniciativa reconhece que o poder muda constantemente em política, cultura, tecnologia e nos cantos silenciosos onde a influência cresce.

Um dos perfils é justamente o de Moura. Nele, Jada lembra que o protagonismo no filme do diretor Kleber Mendonça Filho é o retorno de Moura ao cinema brasileiro e à língua portuguesa após mais de uma década trabalhando nos EUA falando em inglês ou espanhol.

Em “O Agente Secreto”, Moura interpreta um especialista em tecnologia e professor de 40 anos que foge de um passado misterioso em plena ditadura militar e vai até o Recife (PE) tentar ficar com o filho.

A cena em que seu personagem se entrega à alegria coletiva do Carnaval, mesmo com o mundo desabando, é descrita pela jornalista do The Washington Post como um dos momentos mais belos do filme.

Salto na carreira

A carreira internacional de Moura decolou após seu papel como Pablo Escobar em “Narcos”, da Netflix. Desde então, ele passou a viver em Los Angeles e buscou papeis políticos em silmes internacionais.

Ela lembra uma fala que o ator sempre repete, de que sua ausência do cinema brasileiro nos últimos anos também foi resultado da perseguição política durante o governo Jair Bolsonaro, que tornou “impossível” ser artista no país.

Kleber Mendonça Filho dirigiu “O Agente Secreto” pensando especificamente em Moura, seu amigo de 20 anos. “Eu tinha muita confiança de que ele carregaria o filme com seu carisma”, afirmou o diretor.

Moura é o primeiro brasileiro indicado ao Oscar na categoria de Melhor Ator, o primeiro a vencer o Globo de Ouro como ator de drama e o primeiro sul-americano a vencer melhor ator no Festival de Cannes em seus quase 80 anos de história.

Ser político é central na identidade de Moura, afirma Jada Yuan. O ator estudou jornalismo antes de seguir para o teatro, experiência que usou ao interpretar um repórter de guerra em “Guerra Civil”.

Como diretor, fez seu filme de estreia sobre Carlos Marighella, escritor, político e ativista negro dos anos 1960, obra que sofreu sanções do governo Bolsonaro.

Segundo Yuan, Moura também se destaca por suas posições públicas sobre temas contemporâneos, não hesitando em comentar questões sociais e políticas que o afetam pessoalmente.

Agora, segundo ela, Moura aguarda para ver se o filme que protagoniza conseguirá repetir o sucesso de “Ainda Estou Aqui”, que venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.

Quando aquele filme, do diretor Walter Salles, venceu, Jada lembra que os brasileiros saíram às ruas como se tivessem ganho a Copa do Mundo.

Por Gazeta do DF
Fonte CNN Brasil
Foto: Kevin Winter/Getty Images