Meia-maratona de Brasília: conheça os oito medalhistas do percurso de 21km

As categorias feminino, masculino e PCD também receberam prêmio em dinheiro de até R$ 2,5 mil

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Neste sábado (20/4) ocorreu a meia-maratona de Brasília, em um trajeto de 21km que saiu da Praça Cidadania (ao lado do Teatro Nacional), seguiu pelo Eixo Monumental até a Ponte JK e depois retornou ao local de partida. Os cinco primeiros colocados de cada categoria receberam, além do troféu, prêmios em dinheiro de R$ 500 a R$ 2,5 mil. 

Ao todo, 300 corredores fizeram o percurso nesta manhã e foram divididos em quatro categorias: PCD feminino e masculino, e geral feminino e masculino. A largada ocorreu um pouco depois das 6h e o primeiro colocado geral chegou pouco mais de uma hora depois.

O evento faz parte da Maratona Brasília 2024, que é uma realização da Social Prevencionista em parceria com a Secretaria de Esporte e Lazer do Governo do Distrito Federal, com apoio institucional do Correio Braziliense, Rádio Clube FM e TV Brasília.

Confira o perfil dos oito vencedores da meia-maratona:

Mirene venceu ela mesma hoje

Mirene de Sousa Munis, 50, monitora escolar da Edusesc da Ceilândia, teve paralisia infantil durante a infância e por conta disso, a perna direita dela é 3 cm maior que a esquerda. A monitora conta que a deficiência afeta a cervical e causa dores por conta da diferença de tamanho, mas nem o sofrimento e todo o preconceito enfrentados em sua vida a impediram de conquistar mais de 70 medalhas, 45 troféus e o pódio de hoje, em 1º lugar, após duas horas de prova.

“Eu, como atleta PCD, tive que vencer muitos desafios, mas eu não desisto. A cada dia que eu subo no pódio é um dia que a Mirene venceu ela mesma. Qualquer atividade que eu participo, qualquer maratona ou desafio, é uma luta constante comigo mesma porque quando eu começo eu não sei se vou conseguir, mas vou com fé em Deus e está sempre dando certo. É uma dupla, Jesus e eu, dá certo!”, afirmou.

Sobre o desafio de ser uma atleta PCD, Mirene deixa palavras de apoio e incentivo a quem ainda sonha em se dedicar a um esporte. “Temos que nos motivar, a gente dá conta! Podemos ter muita dificuldade e até discriminação no início, mas não podemos desistir, porque é uma luta constante e se a gente batalhar, manter o nosso foco, conseguiremos fazer. E também não podemos desistir. É difícil, mas não é impossível!”, incentivou. E ela vai confiante para o Desafio JK neste domingo! “Eu quero fazer o desafio de correr 42km e vou conseguir com a graça de Jesus”, disse.

O esporte é qualidade de vida!

O 1º lugar na meia-maratona PCD masculino foi Ricardo Melo da Silva, 51, que é advogado e compete em corridas há mais de 30 anos. “Primeiramente, a gente sempre pensa na qualidade de vida. Disputar e concorrer, isso aí vem em segundo lugar porque não é fácil. O esporte proporciona muita coisa boa mesmo. Alívio, por exemplo, no tocante à questão de saúde mental. A questão da ansiedade, a depressão, a prática de esporte substitui a medicação, é uma medicação natural produzir endorfina”, explicou.

Ele sofreu um acidente de moto em 2002 e seu braço direito não se recuperou totalmente. Além dessa lesão, o maratonista também tem uma diferença de quase 2 cm entre uma perna e a outra, mas nada o impediu de fazer o que ama. O atleta não sabe dizer de quantas competições participou, mas lembra que tem mais de 100 pódios nas últimas três décadas. “Já participei de várias competições aqui em Brasília. Acho que essa é a segunda meia maratona só neste mês. Semana passada competi no domingo e fiquei na segunda colocação. Não consigo contar em quantas eu fui nesses 30 anos, mas pódios, devo ter uns 100”, lembrou. E mesmo após correr meia maratona, o advogado não para e não vai descansar neste domingo. “Amanhã eu não corro, mas estou de plantão, vou trabalhar amanhã, para ter ideia!”, contou.

De Goiás para o mundo

Gustavo Barros de Souza, 27, é atleta profissional e venceu a meia maratona geral masculina em pouco mais de uma hora de prova. Sobre a vitória, ele exalta Deus e agradece. “É uma sensação boa, estou muito feliz de ter ganhado essa prova aqui, é a minha primeira vez nela e só tenho que agradecer a Deus, primeiramente, meu treinador e minha família”, disse. Mas está bem longe de ser a primeira vez que corre na capital do país. Natural de Goiânia (GO) e morador de Aparecida de Goiânia (GO), Gustavo não é só do Brasil, mas do mundo também.

“Agora mesmo, vim da minha 1ª maratona em Sevilha, na Espanha. Também corri no final de semana retrasado em Madri, Espanha. E agora vim correr aqui porque estou me preparando para a maratona de Porto Alegre em junho”, contou. “Vi a prova mais como um treino. Sabia que ia estar forte, mas graças a Deus eu consegui ser o campeão”, comemorou. E sempre que Gustavo está competindo perto de casa, ele tem um apoio muito especial. “Minha esposa e meu filho sempre me acompanham nessas provas mais perto, vão em todas comigo!”, declarou assistindo o filho correr ao seu redor.

Oportunidade de ouro

Pablo Fagundes da Costa, 37, atleta, ficou em segundo lugar na meia maratona de hoje e elogiou a organização do evento. “Em relação à organização, está de parabéns! Sinalização, os pontos de hidratação, não teve erro nenhum no meu ponto de vista, desde o começo até o final até agora está 100%”, elogiou. O goiano ficou muito feliz em ter um pódio participando pela 1ª vez da maratona em comemoração ao aniversário da capital. “Primeiramente eu agradeço a Deus pela oportunidade de estar aqui em Brasília participando dessa meia maratona. É a primeira vez que eu participo da meia, aniversário de Brasília. Fico muito feliz por poder vir e conquistar o segundo lugar geral. E o atleta quer voltar para os 65 anos de Brasília! Mas o atletismo não deu apenas louros ao Pablo, deu também uma chance de trilhar o caminho do bem. “O atletismo me colocou num caminho diferente de alguns colegas da minha infância, que tomaram algumas decisões erradas na vida. O esporte me mostrou outra janela, outra porta, muitas conquistas, me tornei um cara querido dentro e fora do esporte, sempre mudando a vida”, ressaltou.

Dedicação e superação

Marcos Fernando da Cruz Costa, 34 anos, ganhou a medalha de bronze na meia maratona! O atleta trabalha em uma loja de gesso no Paranoá (DF) e vai correr no domingo também! “A sensação de ganhar e poder fazer esse evento é muito boa. Eu corri hoje e virei amanhã para os 21 km também! Fui terceiro, mas é bom demais”, comemorou. Natural da Bahia, Marcos corre há 7 anos e não sabe explicar o porquê gosta do esporte. “Não sei porque gosto, só me sinto livre correndo”, comentou. O atleta mora em Brasília há 10 anos e veio para trabalhar na capital. O ganhador ficou bastante emocionado com a vitória e mal conseguiu comentar sobre a sua participação. “Eu nem consigo falar direito porque a ficha não caiu”, comentou. Marcos treina na pista pública de atletismo “One Living” e seu amigo Silvestre foi junto com ele para a Praça da Cidadania prestigiá-lo na competição.

Seus pés são seus meios de transporte

Todos os dias a medalhista de ouro da meia maratona, Carmem Silva Regis Pereira, 35 anos, corre cerca de 13km entre a casa dela na Candangolândia até o trabalho no shopping Pier 21, no Lago Sul. Mais conhecida como Caca, ela corre há cerca de cinco anos, e há dois é registrada profissionalmente na Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). “Tenho mais de 30 corridas com prêmios e pódios. Tenho troféus de primeiro, segundo, terceiro, quarto colocado!”, lembrou. Carmem comenta que a saúde e um amigo foram os motivos que a levaram a correr. “Eu fui correndo com ele e fui gostando porque me apaixonei pela corrida. É o meu esporte preferido e faço por muito amor pela corrida”, afirmou.

A atleta profissional treina no Parque Metropolitano do Núcleo Bandeirante, onde fica o Club Now, do qual participa. Mas é o percurso para casa onde Caca se desafia diariamente. “Eu praticamente vou para o trabalho correndo, então já faço um percurso e já aproveito para treinar. O percurso da manhã hoje eu faço ele em 50 minutos. Eu gasto menos tempo que em ônibus”, concluiu. E ainda elogiou o percurso porque pode apreciar as paisagens da capital. “ Pra você ver a cidade é maravilhoso! Porque Brasília é uma cidade linda. O percurso foi um pouco pesado, porque em Brasília você sabe que é muita subida, mas foi maravilhoso correr aqui. Como sempre é maravilhoso correr em Brasília, eu amo. É um lugar muito bonito, então a gente fica com essa paixão”, exaltou.

Um pedacinho do Quênia no aniversário de Brasília

Viola Jepketer, 22, corredora natural do Quênia e sem conhecimento algum do nosso português, competiu na categoria geral feminina e conseguiu a segunda colocação no pódio! Viola contou como foi competir aqui. “Correr no Brasil é muito custoso e mais difícil do que em outros lugares. O clima daqui é muito quente”, explicou. A atleta treina no país natal e sua trajetória no atletismo começou quando ela ainda era muito novinha. “Eu comecei a correr na escola, e então, quando me formei, fui treinar em um centro esportivo no meu país”, afirmou. A queniana tem muitas medalhas ao longo da sua carreira como corredora e, dentre elas, algumas são brasileiras também. “Eu tenho diversas medalhas de outras competições e só aqui do Brasil, tenho oito”, lembrou. Pergunta se ficaria para aproveitar o aniversário da capital, a jovem sorriu e balançou a cabeça com um delicado “Sim”.

Determinação para vencer

Maria Barroso da Costa Filha, 42, professora de educação física, ficou em terceiro lugar na categoria feminino geral e comentou a dificuldade que enfrentou para poder competir hoje. “Eu vou ser bem sincera. Já fiz esse percurso, já ganhei essa prova uma vez, mas hoje por estar há dois meses me recuperando da dengue, acabei sentindo muito o percurso”, declarou.

Maria ainda não se recuperou totalmente da dengue e mesmo assim conseguiu o pódio o que a deixou muito contente. “Mesmo eu conhecendo o percurso de cabeça e estar preparada mentalmente, meu corpo não respondeu e eu acabei, graças a Deus, ficando em terceiro. Estou feliz porque é um retorno por fazer uma prova com percurso difícil e com atletas de alto nível também. É só gratidão por saber que tenho saúde e por estar aqui conquistando essa colocação”, agradeceu. A professora tem 25 anos de carreira profissional e foi por conta do esporte que se formou em educação física há 6 anos. “É assim, viver esse mundo aqui é o que eu conheço, é o que eu sei fazer, então estou feliz”, afirmou. Natural do Maranhão, ela afirma que o atletismo mudou sua vida. “O esporte mudou toda a minha trajetória aqui dentro de Brasília. Descobri que isso foi o que me abriu as portas para mim, o esporte. E é gratidão mesmo”, ressaltou.

Maratona Brasília

Maratona Brasília 2024 é uma realização da Social Prevencionista em parceria com a Secretaria de Esporte e Lazer do Governo do Distrito Federal, com apoio institucional do Correio Braziliense, Rádio Clube FM e TV Brasília. A organização das corridas é da organização Bruno Atleta, eventos e viagens.

Por Giulia Luchetta e Eduarda Esposito do Correio Braziliense

Foto: Lu..s Tajes/CB / Reprodução Correio Braziliense