Triagem nas tendas ajuda a acelerar atendimento na rede pública de saúde do DF

Moradores de Brazlândia e do Recanto das Emas recorrem aos postos montados pela Secretaria de Saúde em busca do tratamento nos primeiros sintomas da doença. Casos graves são encaminhados às UPAs e aos hospitais

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À medida que a dengue avança, cresce também a demanda por atendimento nas tendas e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Distrito Federal. Na manhã de ontem, o Correio conversou com pessoas que esperavam por atendimento em Brazlândia e no Recanto das Emas.

Em geral, o público disse que o atendimento nas tendas estava relativamente rápido, com uma espera de cerca de duas horas entre a triagem e a testagem. Francisca Beatriz Cosme Lima, de 27 anos, disse que esperou, no máximo, 15 minutos para que seu filho, Nicolas Phillip, de 1 ano e 4 meses, fosse atendido. “Trouxe porque ele está com vômito, febre alta e falta de apetite. O que me deixa preocupada é a febre que está persistindo há três dias e chegou a 39,5°C”, relatou.

Francisca conta que ela e seu filho mais velho, 10, tiveram dengue em janeiro. “Eu fui direto na UPA com ele em 15 (de janeiro). O teste deu positivo e, em 17, voltei com ele para fazer o retorno, porque a médica disse que as plaquetas dele estavam muito baixas”, recordou. O marido de Francisca descobriu ontem que está com covid-19 e, segundo a moça, antes de perder o olfato e o paladar, ele pensava também ter contraído dengue.

Com o resultado do teste rápido de Nicolas em mãos, a mãe constatou que o garoto não foi contaminado pelo vírus da dengue. Em casos negativos para a doença, como o dele, os enfermeiros orientam o paciente a ir a uma UBS, onde poderá receber um diagnóstico, explica Jessika Teixeira, gerente da tenda do Recanto das Emas. “Aqui, o paciente (que testa negativo para a dengue) consegue ter o soro aplicado, a coleta de sangue realizada e sair daqui com a receita dos medicamentos. Mas sempre indicamos ir para a UBS”, destaca.

A transferência de pacientes em estado agravado de dengue para o hospital ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) estava a cargo do Corpo de Bombeiros, mas, desde a última quarta-feira, o Exército assumiu essa função. “Eles ajudam muito a coordenar o serviço, transportar pacientes e auxiliar no fluxo de atendimentos”, observou Jessika.

De acordo com a gerente da tenda, as filas ficam mais longas às segundas e terças-feiras, e nos fins de semana. “Acredito que 200 pessoas sejam atendidas por dia”, estimou. A quantidade é similar ao número de atendimentos realizados na tenda instalada na Administração Regional de Brazlândia, de cerca de 134 pessoas.

“Aqui em Brazlândia, todos os dias, fazemos remoções de pacientes graves”, afirmou a administradora substituta de Brazlândia, Waldinéia Carvalho Pereira, 51. “Só na tenda, temos entre 15 e 20 profissionais atuando diariamente. A ideia do governador (Ibaneis Rocha) é de que nós sejamos um apoio para os primeiros sintomas. Com isso, conseguimos desafogar a porta de entrada das UPAs e dos hospitais”, explicou.

Eduarda Stefhane Neves, 25 anos, viu as filas da UPA de Brazlândia e confirma que a espera está longa demais. “Desde ontem, estava tentando atendimento na UPA, mas como meu caso não é grave não fui atendida. Cheguei às 17h e saí mais de 22h da noite. Tinha gente que estava lá desde as 10h da manhã”, relatou. Na tenda, ela passou pela testagem na mesma manhã.

Ivanilda Alves Pereira, 49, relatou ao Correio que está substituindo uma das gerentes da tenda em Brazlândia, porque a colega está com suspeita de dengue. “Ela começou a apresentar sintomas ontem. Hoje ligou e disse que não conseguia colocar o pé no chão, sentindo muito cansaço, dor nos olhos, dor no corpo, e que não poderia vir”, contou.

Em relação aos atendimentos, ela considera positivo o trabalho realizado. “Estamos dando o nosso melhor nas condições que temos”, opinou.

Por Giulia Luchetta do Correio Braziliense

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press / Reprodução Correio Braziliense