“Salário da PCDF precisa ser equiparado ao da PF”, diz Wellington Luiz

Ao Correio, o deputado distrital destacou também que todos os 900 aprovados no concurso da Polícia Civil não ainda foram chamados por conta de dificuldades orçamentárias do GDF. Sobre a CPI dos atos antidemocráticos, disse que a Casa cumpriu sua missão

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Em seu terceiro mandato na Câmara Legislativa (CLDF), o deputado distrital Wellington Luiz (MDB) foi eleito, por unanimidade, para a presidência da Casa em 2023. Próximo de completar um ano no cargo, o parlamentar concedeu entrevista exclusiva ao Correio Braziliense, em que falou sobre os desafios da primeira legislatura no comando da Casa.

Além dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, principal tema debatido nas sessões da CLDF, Wellington Luiz comentou sobre projetos, futuro político de aliados, além do desejo de equiparar o salário da Pocícia Civil com o da Federal. O presidente da Câmara também opinou sobre o escândalo envolvendo o ex-delegado-geral Robson Cândido.

O senhor é policial civil e defendeu o reajuste de 18% para a categoria. O grande desejo ainda segue sendo a equiparação com a Polícia Federal?

Sem dúvida. Fui presidente do Sindicato dos Policiais Civis durante quase 12 anos e deixei a categoria como a polícia mais bem paga do país, inclusive ganhando mais do que a PF. Esse sempre foi o cenário, então nada mais justo que a PCDF tenha salários idênticos (à PF). É óbvio que essa procura para se fazer justiça vai continuar. A diferença diminuiu bastante: chegou a ser de 37% e hoje está menos de 8%. A equiparação se torna viável. A gente torce para que a Polícia Federal continue sendo bem remunerada, porque merece, é uma polícia que muito nos orgulha, mas a Polícia Civil do Distrito Federal também cumpre seu papel.

Há um certo incômodo sobre a demora na convocação dos aprovados no concurso da PCDF. O governador indicou que irá nomear esses agentes?

De fato, a gente tem uma preocupação muito grande porque hoje, talvez, tenhamos o pior quadro da história do Distrito Federal. A Polícia Civil tem um quadro completamente defasado, são cerca de 4 mil agentes para todo o DF. A população aumentou muito, o crime aumentou bastante e tem o combate ao feminicídio — que está em alta. Por isso, a gente precisa abrir novas delegacias, inclusive novas Deam (delegacias especiais de atendimento à mulher). Só que isso se faz com material humano, então é fundamental essa nomeação. O governador autorizou  (a contratação de) 300 este ano e a ideia é que a gente comece, em 2024, nomeando também. Existem dificuldades orçamentárias que acabam atrapalhando, mas queremos que os 600 nomes restantes sejam chamados até o fim do primeiro semestre.

O escândalo recente envolvendo o ex-delegado-chefe Robson Cândido mancha a imagem da PCDF?

Estamos trabalhando para que isso não aconteça. Foi um fato isolado, mas de extrema infelicidade do ex-diretor-geral. Infelizmente ele acabou se envolvendo nesse problema, mas acho que não seria justo contaminar uma instituição que, ao longo dos anos, prestou um serviço exemplar para a população. É um fato lamentável, sem dúvida, não podemos ser hipócritas de não reconhecer isso, mas que não contamina a instituição como todo.

O que achou da escolha do delegado José Werick para assumir o cargo?

É um dos delegados mais preparados que temos. Ele foi delegado-chefe, presidiu a Associação dos Delegados durante mais de uma década, então, conhece a instituição por dentro e por fora.

Como foi seu primeiro ano como presidente da Câmara Legislativa?

Não foi um ano fácil. Mesmo em recesso, tivemos o fatídico 8 de janeiro, que fez com que a Casa mudasse toda sua dinâmica. Instalamos, dias depois, a primeira CPI assinada por todos os parlamentares na história da CLDF. Com isso, a Câmara começou a se reinventar, porque foi um momento dramático para o povo brasileiro e precisávamos dar uma resposta. Foram dias — e os meses seguintes não foram muito diferentes — de um grande desafio, mas acredito que a gente termina o ano, se Deus quiser, de forma muito exitosa.

Qual é a sua consideração sobre a CPI dos Atos Antidemocráticos?

Acho que, independentemente das posições ideológicas ou partidárias, a CPI deixa um legado extremamente importante de isenção, de protagonismo e de demonstração de compromisso com as causas do povo brasileiro. Reagimos de uma forma muito dura, não tenho dúvida que a nossa CPI acabou apresentando resultados importantíssimos e a história provará isso.

Acha que oposição e governistas conseguiram dialogar da forma correta?

Sim. O relatório do deputado Hermeto, por exemplo, foi aprovado por deputados da oposição. O destaque também, deputados da base votaram contra. Houve muita independência, isenção e, sobretudo, coesão nesse processo. A Câmara conseguiu se fazer enxergar num processo tão importante como esse, além de entrar num entendimento, chegando a um resultado extremamente importante.

Diferentemente da CPMI do Congresso Nacional, o relatório da CPI não indiciou ninguém que a comissão não ouviu — com exceção dos financiadores. Considera uma postura correta?

A nossa CPI criou um rito, que foi obedecido fielmente. Acho que isso é importante para que não houvesse, inclusive, desigualdades nas tomadas de decisões. O que se buscou foi exatamente isso e, na minha opinião, a CPI alcançou seu objetivo.

Além da CPI, quais foram os principais destaques da atual legislatura?

A gente pode falar da aprovação recente do Refis, extremamente importante para injetar recursos na economia; o aumento de alguns impostos (como o IPTU e o IPVA), mesmo que seja uma coisa que a gente não concorda. O próprio setor produtivo entendeu isso. Eu, pela primeira vez na história, votei a favor do aumento de impostos, mas porque a circunstância nos exigia isso. Também tivemos a Lei do Parcelamento do Solo, que está sendo discutida e foi aprovada na semana passada. Tivemos a lei dos becos dos lagos Norte e Sul. Nessa área fundiária, haviam problemas que vinham do passado — às vezes de décadas — e que conseguimos resolver, mostrando a importância que a Câmara enxerga projetos dessa natureza.

Por Arthur de Souza, Pablo Giovanni do Correio Braziliense

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press / Reprodução Correio Braziliense