Depois de dois anos, Planaltina retoma Festa do Divino

Cavalgada da segunda maior festa religiosa da região é acompanhada pelo governador Ibaneis Rocha

6091

O hiato de dois anos forçado pela pandemia da covid-19 chegou ao fim neste sábado (4). Centenas de cavaleiros devotos do Divino Espírito Santo se reuniram no Encontro das Bandeiras, em Planaltina, ponto alto do encerramento da tradicional Festa do Divino.

O legado religioso passado por gerações há pelo menos 140 anos teve a participação do governador Ibaneis Rocha na cavalgada de 6 km do ponto das frutas – última parada da procissão de cavaleiros – até o centro histórico da cidade.

Ao ressaltar o suporte do Governo do Distrito Federal (GDF) à realização das festas religiosas de Brasília, por meio das forças de segurança, o governador comemorou a volta da celebração em Planaltina graças à vacinação, já na quarta dose para maiores de 50 anos, e às medidas de prevenção à covid-19 adotadas em sua gestão.

“É voltar à vida, realmente. A gente tem a sensação de que estamos retomando, mesmo com as dificuldades que ainda temos, felizmente com muitos avanços”, disse.

Em sua 138ª edição, a Festa do Divino de Planaltina é a segunda maior celebração da Igreja Católica na cidade, atrás apenas da Via-Sacra do Morro da Capelinha. Por dez dias, todas as paróquias da cidade comemoraram a data em um evento com fogos, comidas preparadas pelos moradores, músicas e novena, além de cortejos da Coroa e da Bandeira do Divino pelas ruas da maior região administrativa do DF.

A romaria de cavaleiros, de cerca de 100 km, sai do interior de Goiás oito dias antes do encerramento. A cada noite, os cavaleiros recebem pouso em uma fazenda, onde em troca promovem cantorias, benditos e orações, sempre com uma bandeira do Espírito Santo. “Os historiadores dizem que a festa remonta à época da interiorização do Brasil, quando os bandeirantes chegavam às fazendas remotas com suas bandeiras, rezavam e cantavam como agradecimento”, relata o deputado distrital Cláudio Abrantes.

Pela grandeza e importância religiosa que exerce na cidade, a celebração é considerada Patrimônio Cultural Imaterial do DF, por meio do Decreto nº 34.370, de 17 de maio de 2013. A festa relembra a descida do Espírito Santo sobre os 12 apóstolos de Jesus Cristo, em Pentecostes, sete semanas após a Páscoa.

Maria Helena da Silva, a Dona Nitinha, 75 anos, é hoje a responsável pela distribuição de 60 abacaxis, 30 melancias e 15 sacos de mexericas aos cavaleiros e fiéis no acostamento da DF-128. O ponto é a última parada da procissão a cavalo até a chegada à área urbana de Planaltina onde o irmão José Simão, já falecido, sem fazenda para dar pouso à romaria do Divino, passou a oferecer frutas aos romeiros. “É a fé que me move com as graças concedidas pelo Divino Espírito Santo em minha vida”, acredita ela.

Quem também se movia pela devoção era o violonista Fernando Camões, 60 anos, que há pelo menos 20 participa das festividades em Planaltina. Um dos músicos do cortejo, ele garante que a benção da saúde é a grande dádiva concedida pelo Espírito Santo. “Tem dias que a gente acorda meio doente, capenga, mas é pedir e o Divino nos dá força para melhorar”, afirma.

Além do governador Ibaneis Rocha e do deputado Cláudio Abrantes, participaram do encerramento da Festa do Divino o vice-governador, Paco Brito; a deputada federal Flávia Arruda; o deputado distrital Agaciel Maia; o ex-governador José Roberto Arruda; os ex-vice-governadores do DF Paulo Octávio e Tadeu Filippelli; entre outras autoridades políticas.

Por Agência Brasília com informações de Sandra Barreto

Foto: Renato Alves/Agência Brasília