Fiéis “pagam promessas” durante a Via Sacra de 2022

Da sobrevivência de entes queridos até a conquista da universidade dos sonhos. Diversos motivos fizeram cristãos irem até o Morro da Capelinha para agradecer à Cristo

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A Paixão de Cristo é uma data onde a dor e o amor de Jesus Cristo é cultuado pelos seus seguidores. A data também é especial para os que desejam “pagar suas promessas” feitas para o Filho de Deus. Na capital federal, cristãos foram até o Morro da Capelinha, em Planaltina, para realizar as suas demonstrações de fé nesta sexta-feira (15).

O planaltinense Valter Araújo, de 41 anos, viu a vida da sua filha e do seu neto em risco, No desenrolar da sua trágica história de vida, apenas o seu neto permaneceu vivo. Para agradecer a Deus por ter deixado um dos seus familiares na Terra, o morador decidiu subir todo o Morro da Capelinha de joelhos.

Os seus joelhos, que estavam protegidos apenas por uma bandagem improvisada, já estavam vermelhos de sangue causados pelos ferimentos da sua “prova de fé”. Apesar disso, Valter não desistiu, e decidiu terminar o seu percurso para agradecer pela vida que foi deixada na Terra, e para relembrar aquela que já se foi. “Estou aqui pela minha filha. O médico falou que era ela ou neto. Aí, Deus pediu a vida dela e deixou meu neto. Por isso que eu tô fazendo isso.”

Para Valter, a Paixão de Cristo no Morro da Capelinha é especial por conta do significado que a trajetória de Jesus Cristo e a sua crucificação representa para os cristãos.“Isso emociona demais, entra na minha vida, entra na vida da minha família, entra na de todos. Porque Deus deu a vida para nós, ele crucificou ele [Jesus] por nós. Você entende?”, questiona o planaltinense.

A Paixão de Cristo também foi celebrada em Planaltina com a intenção de agradecer por novas vidas que estão se transformando. É o caso da gamense Camila Abreu, de 20 anos, que foi agradecer ao Filho de Deus pela recente conquista da sua tão sonhada vaga na Universidade de Brasília (UnB).

A estudante, que entrou no curso de Letras da instituição pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conta que junto de uma intensa rotina de estudos, a sua prática religiosa foi essencial para o ingresso no ensino superior.
“Eu sempre orei para Deus para ele permitir que eu me tornasse a primeira pessoa da minha família a ter um ensino superior, para poder dar uma nova realidade para eles. Acima de tudo, Deus me permitiu isso, e eu vim aqui agradecer”, conta a nova universitária.

Para chegar até o Morro da Capelinha, Camila teve que sair de casa às 8 da manhã, e chegou no local da Via Sacra ao Vivo 2022 depois de três horas de estrada. Será a primeira vez que a gamense irá acompanhar um dos maiores espetáculos a céu aberto do país, e a ansiedade pelas encenações já tomava conta da moradora.

“Eu sempre vi amigos meus de Planaltina, Sobradinho, Paranoá, comentando da Via Sacra, e eu via muita coisa nos jornais que falavam dos atores. Eu sempre quis saber como era, viver isso aqui de perto. Espero que essa festa dure muito mais, para que mais gente possa vir conhecer”, relata Camila, que prometeu acompanhar as edições futuras da Via Sacra do Morro da Capelinha.

Por Geovanna Bispo do Jornal de Brasília com informações de Sandra Barreto

Foto: Gabriel de Sousa / Jornal de Brasília