Adasa lança campanha para destacar importância da água aos brasilienses

2025

Com o conceito “Quem tem água, cuida. O maior presente é ter água no futuro”, o conjunto de ações será divulgado em painéis luminosos instalados em rodovias, mídia em ônibus e metrô, rádio, redes sociais, sites, blogs e portais, até 21 de abril.

A água é fonte da vida. Não importa quem somos, o que fazemos ou onde vivemos, nós dependemos dela. A semana da água coloca em pauta a importância do recurso hídrico, e o Dia Mundial da Água, celebrado no domingo, reforça o cuidado que se deve ter com o recurso e faz o alerta quanto aos impactos da ação humana sobre os rios e a necessidade de preservação.

Para destacar a importância da água no cotidiano da população brasiliense, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) lançou uma campanha institucional. Com o conceito “Quem tem água, cuida. O maior presente é ter água no futuro”, a iniciativa motiva a manutenção do consumo responsável no ambiente rural e urbano.

O conjunto de ações será divulgado em painéis luminosos instalados em rodovias, mídia em ônibus e metrô, rádio, redes sociais, sites, blogs e portais, até 21 de abril. De acordo com a Agência, a intenção da campanha, que ocorre em meio a uma crise sanitária e humanitária no Brasil e no mundo, é trazer uma mensagem de esperança em relação às oportunidades de conservação da água.

“O objetivo é incentivar a manutenção do consumo responsável no dia a dia da população e trazer uma mensagem de esperança quanto às oportunidades de conservação da água no ambiente rural e urbano”, explica o diretor-presidente da Adasa, Raimundo Ribeiro. De acordo com ele, a ação está sendo realizada no momento em que os principais mananciais do DF operam com sua capacidade máxima e o período de seca se aproxima. “Por meio da campanha, a Adasa convida a população a continuar fazendo sua parte, utilizando a água de forma racional no seu dia a dia, fato que contribui com a segurança hídrica no DF”, afirma Ribeiro.

Nesta quarta-feira (24/03/21), a Adasa lançará virtualmente o Manual de outorgas. O documento, que ficará disponível no site da instituição, será utilizado como ferramenta para orientação e análise no processo de concessão de outorgas e contribuirá com a gestão sustentável dos recursos hídricos do DF. “Ele traz regras claras, como critérios e limitações, para quem estiver fazendo requerimento do uso da água”, detalha o diretor-presidente.

Outra atividade que será realizada na Semana da Água é a homenagem aos produtores rurais que participam do Projeto Produtor de Água no Pipiripau. Em reconhecimento pelo segundo lugar conquistado no início deste ano no concurso “Water ChangeMaker Award”, a Agência entregará aos agricultores um diploma, e a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) emitirá moção de louvor pelos serviços ambientais prestados por eles na Bacia Hidrográfica do Ribeirão Pipiripau.

De acordo com Ribeiro, a Adasa tem buscado o aprimoramento contínuo dos seus processos de gestão de recursos hídricos para garantir água em quantidade e qualidade para os diversos usos no DF. “Essa gestão só é possível se puder contar com o engajamento da sociedade, que é quem, de fato, faz o uso desse recurso tão precioso. Por isso, nesta data, ressaltamos a importância do uso racional e consciente da água, para garantirmos a segurança hídrica no DF”, reforça. “A população faz a diferença, quem consome água é quem tem a capacidade de reduzir o consumo mudando hábitos”, completa.

Consumo

Mas, afinal, para onde vai esse recurso? Desde 2009, a Agência Nacional de Águas (ANA) divulga a cada quatro anos o relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos, com objetivo de medir a carga de consumo de água no país, indicando quantidades, qualidades, gerenciamento, ciclo das águas e dispositivos de controle de crises hídricas.

Segundo levantamento feito em 2019, as principais demandas de água estão na irrigação, com 68,4%, e o abastecimento animal, com 10,8% do total. Estima-se que o agronegócio tem possibilidades de expansão de pelo menos 76 milhões de hectares no Centro-Oeste, o que deve aumentar o consumo de água.

Por isso a importância de os produtores buscarem constantemente um melhor aproveitamento do solo, da água e das florestas visando à sustentabilidade. A indústria é a terceira da lista, consumindo 8,8% da água do país. Apesar do gasto elevado, muitos agricultores resolveram adotar medidas em suas plantações com o intuito de fazer uma boa gestão da água e evitar gastos desnecessários.

É o caso da aposentada e produtora rural Suely Damasceno Takeda, 67 anos, que é responsável pela plantação de hortaliças, ervas medicinais e frutas orgânicas. A chácara, localizada na Apa da Cafuringa, comunidade da Fercal, conta com técnicas de plantio que visam a uma boa gestão do recurso hídrico. Dentre elas, água por gravidade que vem de nascentes recuperadas e a técnica de gotejamento e aspersão.

“Na nossa comunidade, a preservação é o ponto primordial. Com essas técnicas, conservamos as árvores nativas do cerrado, mantemos as grotas reflorestadas, replantamos árvores do bioma, gerando assim economia de água que cria biodiversidade”, conta a produtora. Para Suely, é importante que os produtores saibam como preservar com respeito e o devido conhecimento.

Suely explica que o local antes não era bem cuidado. “O fogo vinha e matava todas as mudinhas novas do cerrado, sementes que estavam guardadas há tempos e que estavam conseguindo renascer. Os antigos donos não tinham a preocupação de cuidar das nascentes”, lembra. A partir de então, a produtora começou a cuidar do local. “Muitas pessoas queriam vir conhecer como poderíamos, no meio do mato, manter e conseguir colher tudo isso, porque não acreditavam que seria possível plantar dessa forma, e continuamos. Hoje, conseguimos colher hortaliças, frutas, plantas para chás”, celebra.

De acordo com a produtora, o objetivo se mantém: “Queremos salvar cada vez mais uma mudinha nascendo e o solo e nascentes se mantendo intocados. A partir do momento que se mantém assim, as Minas irão brotar de novo”. “Acredito que, como produtora rural, esse é o lema que todos devem seguir: cuidar, cuidar, cuidar. Sem água não sobrevivemos, a plantinha não vai sobreviver, assim como os animais. Se nós tivermos essa consciência vamos mostrar para os nossos jovens e crianças que é possível fazer isso sem magoar ou machucar o meio ambiente”, arremata.

Uso Racional

O agricultor José Wellington Alves dos Santos, 46, também optou por estratégias de uso racional da água. Ele explica que produz hortaliças de frutos, como tomate italiano, pepino japonês e pimentão, e diz que as medidas se dividem em duas frentes. “Por um lado, evitamos fornecer mais água do que uma cultura necessita. Calculamos a lâmina d’água necessária para cada cultura que plantamos e, por meio do uso de fitas gotejadoras de baixa vazão, aplicamos a quantidade necessária durante um turno de irrigação (início da manhã) para cada área”, afirma.

A iniciativa dá uma aplicação localizada da água na área de interesse que é a raiz da planta. “Por outro lado, reduzimos a perda por evaporação de qualquer excedente cobrindo o solo com uma camada de palha, a chamada cobertura morta, ou mulching”, pontua. Além de maximizar recursos e diminuir custos, existe a vantagem de dar à planta apenas o necessário. “Diferente do que se pode pensar intuitivamente, no caso da água, mais é menos. Em outras palavras, alcançamos um equilíbrio tanto produtivo, como no controle doenças de solo causadas por excesso de água no solo”, acrescenta.

Para José, a água não é um bem individual, mas um recurso de uso comum. “Considerando que a agricultura é uma das atividades que mais consome água como insumo produtivo, todo esforço no sentido de maximizar o uso do recurso, reduzindo ao máximo o desperdício, se reverte em ganho para a comunidade na forma de manutenção racional dos aquíferos. ”

Hoje em dia, com a disponibilidade abundante de informação sobre o rareamento dos recursos, o agricultor diz que não se pode mais se esconder sob a desculpa de não saber que a água é um bem de uso comum, raro e precioso. “Eu não faço muito, mas faço o que posso por senso de responsabilidade com o meio ambiente e por dever cívico, comunitário. Ambos critérios muito raros na vasta maioria das propriedades agrícolas do DF”, observa.

Água potável

Estima-se que apenas 0,77% da água do mundo esteja disponível para o consumo humano. Essa quantidade não está distribuída igualmente por todo o território e, por isso, existem locais onde esse recurso é bastante escasso. Além da escassez de água, enfrentamos o problema da baixa qualidade desse recurso. A poluição causada pelas atividades humanas torna a água disponível imprópria para o consumo.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), uma em cada três pessoas no mundo não possui acesso à água potável e três bilhões de pessoas não possuem instalações básicas para lavar as mãos de forma adequada. Esse quadro é preocupante, pois está relacionado com uma série de doenças, e o hábito de lavar as mãos pode prevenir várias enfermidades. Entre elas, a covid-19, doença que tem se alastrado no mundo sendo responsável por milhões de mortes.

Como toda a população necessita de água para a sua sobrevivência, em julho de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou, por meio da Resolução A/RES/64/292, que a água limpa e segura e o saneamento básico são Direitos Humanos. Sendo assim, a água de qualidade e o saneamento básico passaram a ser um direito garantido por lei. Entretanto, ainda falta muito para que todas as pessoas tenham esse direito realmente garantido.

Por Ana Maria Silva do Correio Braziliense com informações de Sandra Barreto da Gazeta do DF

Foto crédito: Jeferson/Cafurn