Câmara tem renovação de 50% e nenhuma mulher eleita pelo DF

Após a migração das deputadas Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT) para disputarem o Senado, a capital elege oito deputados divididos entre direita, centro e esquerda, com destaque histórico para Fábio Felix (PSol) com o maior número de votos

As urnas consolidaram um cenário de forte rearranjo na representação do Distrito Federal na Câmara dos Deputados. Com uma taxa de renovação de 50%, os brasilienses escolheram quatro novos nomes para compor a bancada federal de oito cadeiras — Fábio Felix (PSOL), Agnelo Queiroz (PT), Thiago Manzoni (PL) e Izalci Lucas (PL) —, enquanto reconduziram Alberto Fraga (PL), Rafael Prudente (MDB), Julio Cesar (Republicanos) e Professor Reginaldo Veras (PV).

No entanto, a grande marca da eleição de 2026 na representação federal é o vácuo de representatividade feminina. A ausência de mulheres entre os eleitos para a Câmara dos Deputados reflete a reconfiguração estratégica das eleições locais. Conforme explica a cientista política Evelyn Apolinaria, coordenadora-geral do Observatório do Congresso (IPOL/UnB), a movimentação de nomes consolidados para a disputa ao Senado abriu caminho para a mudança na composição da Casa.

“Bia Kicis e Erika Kokay, deputadas federais até então, disputaram o Senado, o que abriu duas vagas sem titular na corrida”, analisa. Sem a presença das candidatas mais votadas do pleito anterior no páreo proporcional, as vagas foram absorvidas por chapas masculinas puxadas por grandes votações partidárias.

“Movimento duplo”

Comparado ao cenário de 2022, o espectro político da bancada passou por uma redistribuição de forças. Em 2022, o Republicanos emplacou a maior bancada do DF com três deputados, seguido pelo PL (2), pela federação PT-PV-PCdoB (2) e pelo MDB (1). Em 2026, o PL ampliou seu espaço para 3 cadeiras (Fraga, Manzoni e Izalci).

Contudo, o campo progressista reagiu na mesma proporção: a soma da federação PT-PV-PCdoB (Agnelo e Veras) com a federação PSOL-Rede (Fábio Felix) também garantiu 3 vagas. As duas cadeiras restantes ficaram com o MDB (Rafael Prudente) e o Republicanos (Julio Cesar). “A esquerda amplia as vagas na Câmara dos Deputados, mas a direita bolsonarista, também”, destaca Evelyn Apolinaria.

O grande fenômeno das urnas foi o distrital Fábio Felix (PSOL), que migrou para a disputa federal e consagrou-se como o candidato a deputado federal mais votado do DF, somando 224.224 votos. Para Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, o desempenho de Felix demonstra a capacidade de convivência entre espectros opostos no eleitorado da capital.

“A eleição no DF trouxe um movimento duplo, tanto de reeleição quanto de renovação. O grande destaque é a eleição de Fábio Felix, o mais votado do DF. O fato surpreende, pois o eleitorado da capital apoiou majoritariamente candidatos de direita e centro-direita, seja para o GDF, seja para o Senado, mas deu uma votação expressiva para Felix. Isso indica que o eleitorado brasiliense continua ideologicamente plural, apesar da força da direita ao longo dos últimos anos”, observa Gabiati.

Gabiati ressalta, ainda, que a nova bancada precisará agir com pragmatismo em pautas institucionais, como a preservação do Fundo Constitucional do DF, o Orçamento, a segurança pública e o funcionalismo. “Independentemente de questões ideológicas, há uma agenda política comum envolvendo orçamento, infraestrutura e a relação financeira entre a União e o DF”, acrescenta.

Tentaram, mas não conseguiram

A disputa de 2026 impôs derrotas a nomes consolidados no cenário distrital. Deputados federais que buscavam a reeleição não conseguiram atingir a votação necessária ou acabaram vitimados pela divisão de votos de suas legendas. É o caso de Fred Linhares (Republicanos), que havia sido o segundo deputado mais votado do DF em 2022 com 165.358 votos, mas em 2026 somou 48.594 votos e acabou na suplência. Outro nome forte que ficou de fora da bancada titular foi o ex-secretário Zé Humberto (MDB), que obteve 36.998 votos e garantiu a suplência do MDB.

Fonte Correio Braziliense
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