De veterinária a criança: DF teve 6 mil acidentes com cães em 2026

De acordo com a Secretaria de Saúde, de janeiro a julho de 2026, 6.055 acidentes foram notificados e/ou atendidos — uma média de 865 por mês

O ataque sofrido pela veterinária Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, por um cão da raça pastor-belga-malinois que a mordeu no pescoço, não foi um caso isolado no Distrito Federal. De acordo com a Secretaria de Saúde (SES-DF), de janeiro a julho deste ano, a rede pública registrou 6.055 ocorrências de acidentes envolvendo cães — uma média de 865 casos por mês. Vale ressaltar que os acidentes podem ocorrer por meio de três formas principais de exposição (mordidas, arranhões e lambidas), segundo a pasta.

Outra estatística também chama a atenção. Apesar de não fazer a distinção dos tipos de animais envolvidos, dados do Corpo de Bombeiros (CBMDF) mostram que, de janeiro a 18 de agosto deste ano, foram registradas 214 ocorrências de ataques no DF — um aumento de 48,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram 144 ocorrências.

Vitória ficou internada no Hospital de Base, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), desde terça-feira (18/8), dia do ataque. A veterinária estava em estado grave, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e não resistiu aos graves ferimentos no pescoço. A jovem morreu nesse sábado (22/8).

Veja outros casos ocorridos no DF:

  • 24 de julho: uma cadela foi morta a tiros, dentro de um condomínio de Vicente Pires, após entrar na casa de um dos moradores e atacar uma criança de 10 anos;
  • 17 de junho: uma mulher, de 38 anos, ficou ferida nas duas pernas após ser atacada por seis cachorros, ao mesmo tempo, em uma rua do Riacho Fundo II;
  • 19 de março: um cachorro da raça pit bull matou uma fêmea da mesma raça e atacou uma pessoa, no Paranoá. A Polícia Militar foi chamada e, por causa do estado de agressividade do animal, precisou abatê-lo;
  • 15 de fevereiro: Moradores de um condomínio do Guará II sofreram, desde novembro de 2025, ao menos sete ataques por parte de uma matilha de cães que circulavam soltos nos arredores do local;
  • 25 de dezembro de 2025: durante a noite de Natal, dois cães da raça pit-bull foram mortos a tiros após atacarem uma criança, outro cão e um policial militar. O caso ocorreu no Setor Sul do Gama.

Proteção para prevenir

Mas o que fazer para evitar um ataque? Luiz Cláudio Araujo, conhecido como Teko Adestrador, disse ao Metrópoles que o ideal é evitar correr, gritar ou ficar de costas para o cão.

“É essencial proteger o rosto e o pescoço e, assim que possível procurar, barreiras físicas. Pode ser um balde, uma cadeira, mochila, bicicleta, qualquer coisa que fique entre você e o cachorro”, alertou.

Se não for possível evitar o ataque, o especialista afirmou que o mais importante é tentar esconder as mãos, enquanto protege o pescoço e rosto. “Se cair, o melhor a fazer é se encolher de barriga para baixo, sempre protegendo rosto, pescoço e mãos”, reforçou.

A Secretaria de Saúde deu algumas dicas sobre o que fazer em caso de acidente envolvendo cão. Confiras as orientações a seguir:

  • Lavar imediatamente o local da exposição com água corrente e sabão, de forma abundante;
  • Procurar uma unidade básica de saúde para avaliação da necessidade de profilaxia contra a raiva e de vacinação contra o tétano;
  • Sempre que possível, manter o animal em observação por 10 dias, desde que seja um cão ou gato passível de observação;
  • Acionar o serviço de zoonoses caso o animal apresente mudança de comportamento ou venha à óbito;
  • A avaliação da necessidade de profilaxia antirrábica deve ser realizada pelos profissionais de saúde, considerando as características da exposição e as condições do animal envolvido.

Esganadura

No caso de um ataque a outro animal, o adestrador disse que o principal é não tentar machucar o cão, pois não vai adiantar. “O que você deve fazer é controlá-lo. A melhor maneira é passar por cima das costas do cão e usar as duas mãos para controlar suas bochechas, segurando com bastante força”, explicou.

Depois disso, Luiz Cláudio afirmou que, caso a pessoa esteja sozinha, será necessário esganar o animal, para que ele abra a boca e solte o cão que está sendo vítima. “Se o cão estiver usando um enforcador ou alguma coleira, você pode tentar usá-la para realizar a esganadura”, pontuou.

Fonte Metrópoles
Foto:  Carla Sena/Arte Metrópoles