Estudantes conhecem os segredos da urna eletrônica

Alunos do Cemeb da Asa Sul conhecem o funcionamento da máquina e a importância do voto durante uma ação de conscientização do TSE

Com a chegada das eleições, é essencial que todos saibam a importância do voto — ferramenta que permite aos cidadãos participar ativamente da construção de uma sociedade mais justa. Nesse contexto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu início à primeira edição da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, com uma ação voltada à educação cidadã e à aproximação dos jovens com a Justiça Eleitoral. O primeiro evento ocorreu na manhã de ontem, no Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb), na Asa Sul, onde os alunos do terceiro ano conheceram o funcionamento prático da urna eletrônica. 

O coordenador pedagógico da escola Marcos Eduardo, 32 anos, conta que a escolha do colégio teve a ver com o fato de o Cemeb ser uma das instituições mais antigas e modelo para o Distrito Federal. Ele acredita que o projeto é essencial para formar os alunos como eleitores. “Os estudantes precisam ter uma conscientização sobre o uso da urna. Existe uma mitologia em torno da máquina e, por conta disso, é importante que eles aprendam como ela funciona na realidade”, destacou o educador.

A atividade foi conduzida pelo coordenador de Tecnologia Eleitoral do TSE, Rafael Azevedo — ex-estudante do Cemeb —, que abriu o equipamento diante do público para apresentar a estrutura interna, explicar os mecanismos de segurança e esclarecer dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro.

“Muitas pessoas se surpreendem ao descobrir que a urna pode ser aberta com facilidade para fins de manutenção e fiscalização. No entanto, isso não significa vulnerabilidade”, explicou o servidor. “O sistema é desenvolvido para impedir qualquer alteração indevida dos votos e garantir que o voto registrado seja exatamente o voto apurado.”

Ele reforçou que a abertura da urna é importante para mostrar aos alunos, de modo didático, como funciona o equipamento. Os estudantes puderam ver as camadas principais de segurança e como as entidades fiscalizam as votações. “Não é porque a gente está falando que é seguro, mas para que eles consigam ver, por si mesmos, que o sistema eleitoral é realmente seguro”, acrescentou.

Interessados

A professora Leomar Gomes, 61, relatou que grande parte dos estudantes está interessada na política e que eles falam bastante sobre essas temáticas nas salas de aula. A educadora também contou que trabalha a educação eleitoral nas classes e fica muito contente com a apresentação do projeto no Cemeb. “Eu acho que eles deveriam fazer mais dessas iniciativas em outras escolas”, sugeriu.

No Distrito Federal, dados do TSE apontam que cerca de 45,5 mil eleitores têm entre 16 e 18 anos. Entre eles está a estudante Ludmila Souza, de 18 anos, que nunca tinha visto uma urna eletrônica por dentro. Ela disse que o evento traz uma experiência para que os alunos tenham mais confiança nas votações pela máquina. “É muito importante que o projeto venha nas escolas, principalmente nas públicas, porque é uma coisa com a qual temos contato apenas de quatro em quatro anos. E a maioria de nós vai votar pela primeira vez.”

O aluno Miguel Ferreira, 18, reconheceu a importância da participação dos jovens nas votações e, como recentemente tirou o título de eleitor por influência da família, quer aprender mais um pouco sobre como votar. “Essa ação educacional é legal para que os colegas possam tirar suas dúvidas e tenham mais vontade de obter o título eleitoral”, destacou.

Além da abertura da urna, o coordenador de Tecnologia Eleitoral do TSE realizou uma roda de conversa com os estudantes para abordar temas como assinatura digital, sigilo do voto, fiscalização dos sistemas eleitorais, testes de segurança e etapas de auditorias realizadas antes, durante e após as eleições. De acordo com ele, iniciativas de aproximação com a sociedade são fundamentais no enfrentamento à desinformação. 

“Quando as pessoas compreendem os mecanismos de segurança adotados pela Justiça Eleitoral, tornam-se multiplicadoras de informações corretas. Isso contribui diretamente para combater notícias falsas e fortalecer a confiança no processo democrático”, afirmou Rafael.

*Estagiários sob a supervisão de Tharsila Prates

Fonte Correio Braziliense
Foto:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press