Cuidar da saúde no ambiente de trabalho vai além de evitar acidentes: significa garantir qualidade de vida e bem-estar ao trabalhador no dia a dia. Com esse foco, a campanha Abril Verde mobiliza a população para a prevenção de doenças ocupacionais, muitas vezes silenciosas, mas com impactos significativos.
No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde (SES-DF), por meio do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), divulgou o mais recente Informe Epidemiológico em Saúde do Trabalhador, com dados sobre casos de lesões por esforço repetitivo (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort), que acendem um importante alerta.
Os dados, extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), abrangem o período de 2015 a 2025. Ao longo desses anos, foram registrados 2.254 casos de LER/Dort. Somente em 2025, houve 1.744 notificações, o que corresponde a 43,9% de todos os registros do período, evidenciando crescimento expressivo.
“A conscientização da população sobre acidentes de trabalho é fundamental para a promoção, prevenção e vigilância da saúde do trabalhador. As ações educativas e de vigilância estão fazendo com que mais casos sejam identificados e corretamente registrados”, ressalta a diretora de Saúde do Trabalhador da SES-DF, Elaine Morelo.
Esse aumento nos registros também está relacionado ao trabalho contínuo dos Cerests na sensibilização dos profissionais de saúde sobre a importância da notificação de agravos relacionados ao trabalho, além das ações de busca ativa realizadas pelos próprios centros e pelos núcleos de vigilância epidemiológica hospitalar.
LER/Dort
O termo abrange doenças, lesões e síndromes que afetam o sistema musculoesquelético, causadas, mantidas ou agravadas pelas condições de trabalho. Os sintomas mais comuns incluem dores crônicas, formigamento ou dormência em diversas partes do corpo e fadiga muscular.
Entre os principais fatores de risco estão aspectos psicossociais, como estresse excessivo e situações de assédio, além de movimentos repetitivos, postura inadequada, esforço físico intenso e tempo insuficiente para recuperação.
“O reconhecimento dos fatores de risco e dos primeiros sinais de LER/Dort é essencial para evitar o agravamento dessas condições. Quando sintomas como dor, formigamento ou fadiga muscular são identificados logo no início, aumentam as chances de recuperação e diminui-se o risco de evolução para quadros crônicos”, reforça Morelo.
Ocupações afetadas
Os dados também revelam que algumas ocupações concentram maior número de casos. O trabalho doméstico lidera, com cerca de 10% das notificações. Em seguida, aparece a construção civil, com destaque para pedreiros, que representam 6,7% dos registros — o que evidencia a necessidade de ações preventivas mais direcionadas a esses setores.
O diagnóstico de LER/Dort é realizado com base no histórico ocupacional do trabalhador, associado à avaliação clínica. Entre os diagnósticos mais frequentes no DF estão dorsalgia (dor nas costas), dor articular, tendinite e lesões no ombro — condições que impactam diretamente a qualidade de vida e a capacidade laboral.
Segundo a diretora, o diagnóstico precoce é fundamental tanto para trabalhadores quanto para empregadores. “Para o trabalhador, a identificação antecipada aumenta significativamente as chances de recuperação, evita danos permanentes, reduz a dor e preserva a capacidade funcional e a qualidade de vida. Para os empregadores, contribui para reduzir afastamentos, custos e riscos legais. Além disso, permite ajustes no ambiente de trabalho, tornando-o mais seguro e produtivo”, afirma.
Prevenção
A prevenção das LER/Dort passa por ações integradas entre trabalhadores, empregadores e poder público. Entre as medidas recomendadas estão a adoção de pausas regulares durante a jornada, a adequação dos postos de trabalho com foco em ergonomia, a redução de movimentos repetitivos e o incentivo à prática de atividades físicas.
Já empresas e governo têm papel estratégico na promoção de ambientes mais seguros, por meio de políticas de saúde do trabalhador, fiscalização e melhorias nas condições de trabalho, contribuindo para ambientes mais saudáveis.
*Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)
Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF














