Seis anos após o desfecho da série, um novo filme chega ao universo do clássico Thomas Shelby. “Peaky Blinders: O Homem Imortal” traz o ator Cillian Murphy de volta a um de seus papéis mais icônicos. Em entrevista cedida com exclusividade à CNN, o astro confessou que revisitar o personagem exigiu um novo mergulho, desta vez, em um estado mental intenso e desafiador. O novo filme chegou ao catálogo da Netflix nesta sexta-feira (20).
“Não sou o tipo de ator que aparece, veste o figurino e está pronto para gravar. Preciso de alguns meses para engatar no papel. É sempre difícil voltar a esse estado mental e físico”, revelou Cillian Murphy. No entanto, segundo ele, a conexão com Tommy, construída ao longo dos anos, acaba se impondo: “Depois de tanto tempo, ele meio que assume a direção. Você tira as mãos do volante e ativa o piloto automático”.
No novo filme, Tommy Shelby surge ainda mais marcado pelo tempo e pelas perdas. “O mais óbvio é que ele envelheceu, assim como eu”, disse o ator. “Ele passou pela parte mais turbulenta do século 20, com as Guerras Mundiais e tudo que ele enfrentou na vida pessoal.” Esse acúmulo de traumas se reflete diretamente no ponto de partida do personagem, que é um homem isolado, emocionalmente devastado e vivendo à margem da própria existência.
“Quando o encontramos, ele está destruído como sempre e se medicando, vivendo em um purgatório que criou para si mesmo”, detalhou Murphy. “Ele vive nesse limiar, não está realmente vivo nem morto. Está ignorando o mundo e a família — e isso é um ponto de partida brilhante, porque permite trazê-lo de volta à trama.”
Essa nova fase do personagem é marcada por perdas profundas e uma relação cada vez mais complexa com o mundo. Para o criador Steven Knight, a trajetória de Tommy reflete traumas irreparáveis. “Pessoas que foram à guerra viram seus amigos explodirem. Depois disso, é muito difícil construir uma relação com outro ser humano”, ressaltou ele, também em entrevista.
O diretor Tom Harper reforça que o personagem agora carrega uma dimensão mais espiritual e resignada: “A dor e o trauma sempre estiveram presentes, mas talvez ele tenha mudado depois de perder Ruby, Grace e Polly”.
Mesmo após conquistar o Oscar pelo filme “Oppenheimer”, Murphy decidiu retornar ao papel que o consagrou na televisão. Para a produtora Guy Heeley, essa escolha foi significativa. “Ele podia fazer o que quisesse depois do Oscar, mas se sentiu bem para voltar. Isso deu a confiança necessária para revisitar Tommy Shelby.”
Elenco reforça peso emocional da história
Além de Murphy, o filme marca o retorno de rostos conhecidos pelos fãs. Sophie Rundle reprisa Ada Shelby, agora integrante do Parlamento, lidando com conflitos políticos e familiares. “Ada sempre tentou se afastar da família, mas descobre que não dá para negar suas origens”, comentou a atriz, destacando o papel da personagem como uma espécie de matriarca em construção.
Já Stephen Graham volta como Hayden Stagg, personagem que compartilha com Tommy os traumas da guerra. “Eles se entendem porque viveram as mesmas experiências”, afirma o ator, ressaltando o peso do transtorno de estresse pós-traumático na narrativa.
Outro destaque é Packy Lee, que retorna como Johnny Dogs, fiel aliado de Tommy. “Eu cuido dele e basicamente o amo como amigo. Meu trabalho é garantir que ele fique vivo”, diz. A relação entre os dois, construída desde a infância na ficção, ganha ainda mais profundidade no longa.
Para Murphy, a presença desses personagens é essencial: “A família é a comunidade mais básica. Não faz sentido a história sem eles.”
Por Gazeta do DF
Fonte CNN Brasil
Foto: Divulgação/Netflix














