Quem é Tom Ribeira, que participará da abertura do show de Gil em Paris

Cantor de Botucatu (SP) cantará com Agnes Nunes no festival Back2Black, em 3 de abril

O cantor Tom Ribeira, 24, é uma das revelações da nova MPB (música popular brasileira) e sairá de Botucatu, no interior de São Paulo, para participar da apresentação que abrirá o show de Gilberto Gil no festival Back2Black, em Paris.

Em entrevista à CNN Brasil, o artista revelou que o convite foi feito por Agnes Nunes, que é sua namorada e fará o show de abertura de Gil no evento, que terá ainda Blick Bassy e a DJ Sandra Baldé e acontecerá no Théâtre du Châtelet, no dia 3 de abril.

“Tive esse convite da Agnes Nunes, que é a voz mais linda do Brasil e por quem eu sou apaixonado. Ela vai abrir o show do Gil no festival e a gente pensou em cantar uma música juntos. Eu, lógico, aceitei na hora. É a maior honra que eu recebi”, declarou Tom.Play Video

O paulista explicou que tem em Gil uma das grandes referências de sua vida, sendo o álbum “Refavela” da formação dele. O disco foi lançado por Gil em 1977, faz parte de uma trilogia que inclui os discos “Refazenda” (1975) e “Realce” (1979).

“Abrir o show dele não é uma história para se contar uma vez só, é uma história para se contar a vida inteira. O Gilberto Gil é um orixá, é um deus da nossa música. O legado da nossa geração é manter um pouquinho disso, da verdade, da arte do amor.”

Primeiro EP

Tom Ribeira lançou na sexta-feira (6) seu primeiro projeto autoral, o EP “Pedaço”, que nasce da memória afetiva e das lembranças de Botucatu. Ao longo de seis faixas, o cantor mistura gêneros com a MPB, que é o fim condutor do álbum, e constrói paisagens marcantes com suas composições.

À CNN Brasil, o artista defendeu a mistura de ritmos que traz consigo, e adianta que não pretende abandonar o tom de “menino do interior”, já que mescla muito a vida pessoal com a carreira.

“A MPB é algo tão abrangente quanto a nossa cultura. O Brasil é um país onde temos uma biblioteca imensa de ritmos e eu tento levar no meu som algo bonito, misturando uma harmonia de jazz com um ritmo super brasileiro. A soma das nossas culturas atuais é a nova MPB”, explica. “Essa essência sempre tem que me acompanhar: ser o Tom do interior, o tom de Botucatu, que cresceu escrevendo música no quarto e postando vídeo.”

“No EP, minha intenção são pedaços de mim: tem o lado romântico, tem a minha cidade e tem até receita no meio. ‘Pedaço’ tinha que ser um trabalho bem apresentado, com diversidade e textura.”

Isso vem de uma infância com referências musicais diversas, que vão da moda caipira que seu avô ouvia, ao rap do irmão, mesclando com os sambas que serviam de trilha sonora para a família.

“Tento inovar nas músicas misturando as ideias: escrever de uma maneira mais antiga, como se fosse uma moda caipira, mas produzir com sintetizador no meio.”

Além de Gilberto Gil, Tom Ribeira elenca Marisa Monte e Jorge Ben Jor como grandes referências musicais.

“Lembro de um CD da Marisa Monte que minha mãe comprou; a gente viajou dez horas de carro ouvindo e até hoje sei todas as músicas. Fui montando as pecinhas do quebra-cabeça para fazer a minha arte”, relata. “O Jorge Ben Jor me influencia muito. Acho incrível a maneira que ele descreve as coisas. Em ‘O Homem da Gravata Florida’, ele descreve um momento que aconteceu em dez segundos, mas viaja tanto que chega num lugar maravilhoso. Isso me inspira a não ter limites para o que fazer com a música.”

O EP “Pedaço” chega aos palcos no domingo (15), quando o cantor se apresenta no espaço Na Rotina, na zona oeste de São Paulo. Os ingressos estão esgotados.

Por Gazeta do DF
Fonte CNN Brasil
Foto: Francois-Quillacq