No Setor Carnavalesco Sul, na Comercial Sul, um espaço chama a atenção pela proposta de cuidado e acolhimento. A Organização Não Governamental (ONG) Tulipas do Cerrado instalou uma sala de redução de danos para oferecer apoio aos foliões que passam pela região. O local funciona até as 21h, em todos os dias de festa.
A iniciativa é voltada à prevenção e à redução de danos. A organização atua especialmente ajudando trabalhadoras do sexo e pessoas em vulnerabilidade social no DF. Durante o carnaval, porém, o atendimento se amplia para qualquer pessoa que precise de orientação ou suporte.
No espaço, são distribuídos preservativos femininos e masculinos, lubrificantes, água, doces, maquiagem, comida e manuais com instruções sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), além de informações sobre exames e o uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Também há adesivos com frases políticas, como forma de conscientização e posicionamento.
A ação é realizada em parceria com a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa).
Segundo o redutor de danos da Tulipas do Cerrado, Victor Hugo Rodrigues, o objetivo é garantir que as pessoas aproveitem a festa com mais segurança. “Nosso intuito é prevenir os danos do álcool, das drogas e deixar a pessoa da melhor forma possível para ir embora. Distribuir os adesivos é uma forma de conscientização, mas também nosso meio de se impor”, afirma.
Victor destaca que a procura pelos insumos varia conforme o público. “O que eu observei é que as mulheres ficam sem graça de pegar camisinha, mas os homens não, os homens já fazem graça. A água e os doces também têm chamado muita gente, principalmente pelo tempo de calor”, relata.
Além dos insumos de prevenção, o espaço também se tornou um ponto de acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade. A ativista pelos direitos das trabalhadoras sexuais e das mulheres trans da Tulipas do Cerrado, Ninete Ferreira Gonçalves, 42, conta que uma das cenas que mais a marcou ocorreu durante o atendimento a uma idosa.
“Uma senhorinha muito simpática em estado de vulnerabilidade apareceu e viu que a gente tinha disponível maquiagem e tinta, para poder se arrumar para o carnaval. Ela se arrumou, ficou linda e saiu daqui muito feliz”, relembra.
Para entender melhor o perfil e o estado dos foliões que passam pelo espaço, a equipe criou uma dinâmica interativa com um questionário fixado na parede. A proposta é mapear o nível de vulnerabilidade e oferecer orientações mais adequadas.
“O objetivo dessa dinâmica é a gente poder fazer o mapeamento das pessoas que estão no rolê. Com isso, conseguimos fazer um trabalho de redução de danos mais eficaz. Nós vamos orientando e, com essa dinâmica, sabemos mais ou menos do estado de embriaguez ou de uso de substância que essas pessoas estão”, explica Ninete.
Por Gazeta do DF
Fonte Correio Braziliense
Foto: Vitória Torres













