O volume de lixo e entulho descartado irregularmente que é recolhido pelo Serviço de Limpeza Urbana (SLU) no Distrito Federal já se equipara ao da coleta regular e gera um gasto de mais de R$ 5,8 milhões todos os meses. Levantamento do órgão mostra que mais de 2 milhões de quilos de resíduos irregulares — cerca de 2,1 mil toneladas — são retirados das vias ou áreas públicas todos os dias, quantidade próxima ao volume de lixo recolhido regularmente e encaminhado diariamente ao aterro sanitário de Brasília, estimado em aproximadamente 2,2 mil toneladas.
Esse volume adicional de resíduos irregulares recolhidos diariamente pelo SLU gera impacto direto nas contas públicas, uma vez que exige a mobilização de equipes, máquinas e caminhões além da coleta regular já programada. Apenas com a remoção de lixo e entulho descartados de forma inadequada em ruas, calçadas e terrenos públicos, o Governo do Distrito Federal (GDF) desembolsa cerca de R$ 5,8 milhões por mês, considerando as operações realizadas em 2024 e 2025 — recursos que poderiam ser direcionados a outras ações de manutenção e melhoria urbana.
“A população muitas vezes não tem dimensão desses números. O que a gente retira diariamente das ruas por descarte irregular equivale praticamente a toda a coleta regular que chega ao aterro sanitário. É um volume muito alto e totalmente evitável”, afirma a diretora técnica do SLU, Andreia Almeida.
Segundo ela, o problema vai além da questão financeira. “Esse material vai parar em bocas de lobo, redes de drenagem e corpos hídricos, provocando alagamentos, erosão do solo e impactos ambientais. Também favorece a proliferação de vetores como ratos, baratas, escorpiões e mosquitos transmissores de doenças”, explica.
Infrações e fiscalização
O descarte irregular de lixo e entulho é classificado como infração administrativa grave e também como crime ambiental. A fiscalização é realizada pela DF Legal, responsável pela aplicação das penalidades, que variam de R$ 122,28 a R$ 305.803,16. Além da multa, o veículo utilizado no transporte do material pode ser apreendido. A DF Legal esclarece que não possui atribuição para efetuar prisões.
Em 2025, a fiscalização realizou 10.806 vistorias relacionadas ao descarte irregular de resíduos da construção civil, resultando em 1.516 notificações e 275 multas. No caso do lixo domiciliar, foram 4.985 vistorias, com 1.170 notificações e 20 multas aplicadas. As ações contam com cerca de 60 auditores e incluem tanto a verificação de planos de gerenciamento de resíduos em obras e empresas quanto fiscalizações em pontos recorrentes de descarte irregular, inclusive com apoio de registros em vídeo.
Expansão dos papa-entulhos
Para reduzir o descarte irregular, o GDF vem ampliando a rede de equipamentos públicos destinados ao recebimento adequado de resíduos. Atualmente, o Distrito Federal conta com 26 papa-entulhos em operação, número que deve chegar a 43 até o fim do ano, com novas inaugurações em diferentes regiões administrativas. A iniciativa se soma à rede de papa-lixos e papa-recicláveis já existente.
“Hoje a população tem onde descartar. Se gerou até um metro cúbico de entulho, poda, galhada ou inservíveis, pode levar ao papa-entulho. Estamos avançando para que esses equipamentos estejam praticamente em todas as regiões do DF”, destaca Andreia Almeida.
Em Ceilândia, maior região administrativa do Distrito Federal, o impacto do descarte irregular é sentido no cotidiano. O administrador regional Dilson Resende ressalta os prejuízos diretos. “Afeta a limpeza, a drenagem e aumenta o risco de insetos e doenças, como a dengue. A região tem papa-entulhos e coletas programadas, mas ainda é preciso conscientização”, afirma.
Moradores da região relatam a recorrência do problema. Autônomo, Antônio Marcos da Silva destaca a importância da limpeza frequente. “É importante para evitar o mosquito da dengue, ratos e sujeira. Cada um deveria jogar o lixo no lugar certo”, diz. Já o pedreiro Francisco das Chagas dos Santos observa que, mesmo após a retirada dos resíduos, o descarte volta a ocorrer. “Eles limpam, mas depois o pessoal joga de novo. Junta inseto, rato, e fica praticamente na porta da casa da gente”, relata.
Programa De Cara Nova
Como parte das ações voltadas à redução do descarte irregular e à recuperação de áreas degradadas pelo acúmulo de lixo e entulho, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) também atua por meio do programa De Cara Nova. No Riacho Fundo II, um ponto que era alvo recorrente de descarte irregular passou por uma intervenção recente, com a retirada de cerca de 25 toneladas de resíduos, além do plantio de mudas de árvores, implantação de horta comunitária e criação de um Ponto de Encontro Comunitário (PEC) destinado ao convívio dos moradores.
A iniciativa integra o conjunto de medidas adotadas pelo GDF para evitar a reincidência do descarte irregular, aliando limpeza urbana, uso adequado do espaço público e participação da comunidade. Segundo o SLU, a ocupação ordenada dessas áreas é fundamental para coibir novas irregularidades e ampliar a conscientização sobre o descarte correto de resíduos.
Como descartar corretamente
Para entulho de obras, podas, galhadas e materiais similares, a orientação do SLU é utilizar os papa-entulhos, cujos endereços estão disponíveis no site do órgão. Caso a obra gere mais de 1 metro cúbico de entulho por dia, a legislação determina a contratação de empresa especializada, responsável pela destinação ambientalmente correta dos resíduos.
No caso do lixo domiciliar, o descarte correto começa dentro de casa. A recomendação é separar os resíduos em dois grupos: recicláveis e orgânicos/rejeitos. Os recicláveis devem ser acondicionados, preferencialmente, em sacos verdes ou azuis; já os orgânicos e rejeitos, em sacos pretos ou cinza.
Os dias e horários da coleta podem ser consultados no site slu.df.gov.br e no aplicativo SLU Coleta DF. Quando a coleta ocorre no período da manhã, os caminhões passam entre 7h e 15h20; no período noturno, a partir das 19h. A orientação é colocar o lixo o mais próximo possível do horário da coleta, evitando que os resíduos fiquem expostos nas vias públicas.
Além da coleta convencional e da coleta seletiva porta a porta, o Distrito Federal dispõe de papa-entulhos, papa-lixos e papa-recicláveis. O uso correto desses serviços reduz custos, evita danos ambientais e contribui para uma cidade mais limpa e organizada. “A gestão de resíduos é compartilhada. Da porta para dentro, a responsabilidade é do morador. Separar e destinar corretamente não é opcional, é obrigação legal”, conclui Andreia Almeida.
Por Gazeta do DF
Fonte Agência Brasília
Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília














