O que candidatos ao GDF propõem para a população idosa

O próximo governador vai precisar de ações voltadas para a população idosa do DF, que era de 523 mil no biênio 2023-2024 e cresce a cada ano. Especialista destaca a necessidade de ampliação da ação do Estado para os 60

Em um cenário onde a população idosa vem aumentando no Distrito Federal, são necessárias políticas públicas de Estado que acolham, cada vez mais, esta população. O Correio ouviu os candidatos ao Governo do DF (GDF) mais bem posicionados na pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, para saber das propostas voltadas aos idosos. Especialista em Gestão Pública destaca a necessidade de ampliação da ação do Estado em atenção à população com mais de 60 anos. 

Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no biênio 2021-2022, havia, aproximadamente, 470 mil pessoas com 60 anos ou mais vivendo no Distrito Federal. No biênio 2023-2024, eram 523 mil idosos vivendo no DF, um aumento de 11%. 

Governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP) destacou que, caso eleita, pretende olhar para o idoso de forma completa. “Eu acredito que envelhecer precisa ser sinônimo de dignidade, cuidado e autonomia. Vamos ampliar o acesso à geriatria, à reabilitação e ao atendimento domiciliar e implantar o Hospital Geriátrico de Brasília. Vamos ampliar atividades, como o Ginástica nas Quadras, criar o Casa Viver para acolhimento de idosos e fortalecer o apoio às famílias e aos cuidadores. Vamos ainda aumentar a proteção contra violência, abandono, golpes e fraudes”, enumerou.

“Tem uma coisa que considero muito importante: valorizar quem passou dos 60. Vamos incentivar a inclusão digital, qualificação, empreendedorismo e oportunidades de trabalho. O idoso não pode ser visto apenas como alguém que precisa de cuidado, mas como alguém que tem experiência, autonomia e muito a contribuir”, completou Celina.

José Roberto Arruda (PSD) enfatizou a longevidade da população e disse que pretende lançar novas políticas públicas voltadas aos idosos caso seja eleito. “Vamos criar o programa Cidadão 60, principalmente para as pessoas de menor renda. No meu governo, eu construí 300 PECs, essas academias de rua. Em cada uma delas, eu vou colocar um monitor de educação física para auxiliar os idosos nas atividades”, ressaltou.

“Vamos fazer com que remédios de uso continuado para diabetes e pressão sejam entregues em casa para evitar as filas. E ainda fazer com que o esporte, a cultura e o digital cheguem a essa população, inclusive com o DF Digital para idosos”, afirmou Arruda.

Prevenção

Leandro Grass (PT) disse que, se chegar ao Palácio do Buriti, vai implementar políticas para idosos com foco na saúde, prevenção, envelhecimento ativo, rede de cuidado, mobilidade, segurança, empregabilidade e renda. “Vou fortalecer a atenção primária voltada à pessoa idosa, com equipes multiprofissionais, reabilitação e saúde mental, e ampliar a oferta de geriatras e gerontólogos, hoje escassos na rede. Consulta e exame em até 30 dias e a saúde da família na porta de casa. O idoso é quem mais sofre com a fila da saúde. Vou ampliar os serviços de convivência e as atividades culturais, esportivas e intergeracionais que previnem o isolamento social e a depressão, além de manter a autonomia”, anunciou.

“Vamos implementar uma rede pública de cuidado de longa duração, com expansão de Centros-Dia e de Instituições de Longa Permanência (ILPIs) públicas e conveniadas, adesão ao Programa de Atenção Domiciliar (PADI) do Ministério da Saúde e apoio a quem cuida do idoso em casa”, citou Leandro. “Também teremos tarifa zero para idosos no transporte e rede de proteção integrada contra as violências física, psicológica, patrimonial e financeira. Teremos intermediação e qualificação de idosos que querem seguir trabalhando, e apoio ao empreendedor 60 mais”, acrescentou.

Paula Belmonte (PSDB) afirmou que, se eleita, pretende implementar ações que fortaleçam saúde e prevenção dos idosos. “Vou fortalecer a atenção primária e as equipes de Saúde da Família. A proposta é organizar a jornada do paciente e integrar UBSs, atendimento especializado, reabilitação e hospitais. Vou criar o Hospital do Idoso como referência especializada para a população idosa do DF. Além disso, fortalecerei o atendimento domiciliar para idosos, especialmente aqueles com doenças crônicas, limitações de mobilidade ou necessidade de acompanhamento contínuo”, destacou.

“Vou fortalecer políticas de proteção, convivência, autonomia e inclusão das pessoas idosas. Vamos tornar a cidade mais acessível e segura em toda a jornada, com atenção a calçadas e travessias, acessibilidade, iluminação, pontos de ônibus e terminais. Vamos ampliar a prevenção e a capacidade de resposta do Estado com integração das forças de segurança, tecnologia e inteligência. Para a população idosa que deseja permanecer economicamente ativa, a diretriz é promover inclusão e autonomia, aproximando qualificação e oportunidades de trabalho”, elencou Paula.

Kiko Caputo (Novo) propõe a Política Distrital de Envelhecimento Saudável, com a criação dos Centros de Bem Viver e Longevidade, integrando saúde, assistência social, esporte, cultura e convivência comunitária. “O plano prevê fortalecer o atendimento de saúde e a prevenção, reduzir filas de consultas, exames e cirurgias, ampliar atividades físicas e espaços de lazer acessíveis, reforçar a proteção contra a violência e facilitar o acesso a benefícios e serviços sociais. Também prevê apoiar a recolocação profissional de pessoas com 50 anos ou mais e desenvolver oportunidades ligadas à economia da longevidade, garantindo mais autonomia, proteção e qualidade de vida para quem envelhece no DF”, explicou.

“Vamos fortalecer as UBS, ampliar horários de atendimento, oferecer teleconsultas, reduzir filas de exames, consultas e cirurgias. A proteção social também será fortalecida. Pessoas idosas e suas famílias terão apoio para acessar direitos e benefícios. O plano prevê, ainda, atividades físicas específicas para a terceira idade, integradas às políticas de saúde e convivência comunitária. As políticas de emprego priorizam trabalhadores com 50 anos ou mais que enfrentam dificuldades para retornar ao mercado, enquanto a estratégia de desenvolvimento prevê preparar Brasília para a chamada economia da longevidade”, destacou Kiko.

Ricardo Cappelli (PSB) ressaltou que o foco das políticas públicas para idosos em seu governo, caso eleito, será a saúde. “É na terceira idade que eles mais precisam de acesso à saúde e hoje não estão conseguindo. Então, nós vamos criar redes que priorizem o atendimento aos idosos, especialmente policlínicas especializadas em atendimento aos idosos”, frisou.

“Além disso, vamos fortalecer programas de prevenção com atividades físicas, culturais, lúdicas que trabalhem o desenvolvimento motor e com isso previnam uma série de doenças. E vamos também fortalecer a rede do Centro de Convivência de Idosos nas cidades para criar espaços de integração, de experiência social, troca social, trabalhando a questão da saúde mental como um fator importante também”, complementou Cappelli.

Gargalos

Segundo Armindo Madoz, mestre em Direito e professor da Estácio Brasília, especializado em Gestão Pública, o aumento da população idosa exigirá uma rede de saúde com maior capacidade de atendimento e melhor integração entre os serviços. “O Distrito Federal precisa se preparar desde já para o envelhecimento acelerado de sua população”, afirma. Ele cita projeção do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF) de que, em 2030, haverá aproximadamente 12 pessoas idosas para cada 10 jovens no DF.

Madoz ressaltou que entre os principais problemas atuais estão as filas para consultas, exames e cirurgias, além da falta de profissionais e da fragmentação do atendimento. Ele cita o Estudo Técnico nº 04/2025 da CLDF, segundo o qual, em julho de 2025, cerca de 195 mil idosos aguardavam exames complementares, com espera média superior a dois anos, enquanto aproximadamente 180 mil esperavam por consultas especializadas. “Não basta reconhecer formalmente a prioridade do idoso: é necessário garantir atendimento efetivo e em tempo adequado”, defende.

Nesse cenário, o professor considera que a redução das filas e a recomposição das equipes devem estar entre as prioridades do próximo governo. Ele também aponta a necessidade de ampliar o atendimento domiciliar, investir na prevenção de quedas e na vacinação e integrar UBSs, especialistas, hospitais e assistência social. “O próximo governo deve priorizar a redução das filas, a recomposição das equipes, a ampliação da atenção domiciliar, a prevenção de quedas, a vacinação e a integração entre UBS, especialistas, hospitais e assistência social”, afirma.

Para o especialista, a expansão da atenção primária deve caminhar junto com a oferta de atendimento especializado. A UBS e as equipes de Saúde da Família, segundo ele, devem ser a principal porta de entrada e acompanhar continuamente os idosos, enquanto os geriatras devem concentrar esforços nos pacientes mais complexos. “O caminho, portanto, não é escolher entre UBS e serviço especializado, mas construir uma rede em que cada nível cumpra corretamente sua função”, explica.

Além da assistência médica, o professor defende políticas voltadas à convivência social e à autonomia. Para ele, o envelhecimento não deve ser tratado apenas sob a perspectiva das doenças físicas. “Envelhecer com dignidade não significa apenas viver mais, mas viver com saúde, segurança, participação social e autonomia”, afirma.

Entre as medidas necessárias, Madoz cita a ampliação de centros de convivência, atividades culturais e esportivas, inclusão digital e ações intergeracionais. Também defende a identificação de idosos que vivem sozinhos e o acompanhamento integrado pelas equipes de saúde e assistência social, além de atendimento psicológico, diagnóstico precoce de depressão e demência e suporte a familiares e cuidadores.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Editoria de Arte/ CBDA Press