O telejornalismo brasileiro perdeu um de seus nomes mais marcantes com a morte do jornalista Carlos Monforte, aos 77 anos, nesta segunda-feira (31/8). Nascido em Santos, no litoral de São Paulo, adotou Brasília como lar há 43 anos. A partida gerou comoção nacional. As cerimônias de despedida ocorrem nesta terça-feira (1º/9), no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. O velório será das 13h às 15h, na capela 1, e a cremação está agendada para àa 15h15.
Formado pela Faculdade de Comunicação de Santos, Monforte iniciou a carreira no jornal A Tribuna. Graduado em 1972, passou pela assessoria de imprensa da Secretaria de Obras de São Paulo e atuou como repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo entre 1973 e 1978.
A consagração veio a partir de 1979, na TV Globo, onde despontou como pioneiro do modelo de âncoras no país. Na década de 1980, assumiu como editor-chefe e apresentador do Bom Dia Brasil, função que exerceu por nove anos. No primeiro ano, a equipe realizou cerca de 700 entrevistas políticas e econômicas. Mais tarde, foi editor de política do Jornal da Globo, permanecendo na emissora até 2016.
Sua esposa, Maria Ignez Monforte, desabafou sobre a perda e a dedicação do marido à profissão. “É muito difícil. Tinha um amor enorme pela profissão”. Ignez relembrou a mudança para a capital federal quando o jornalista assumiu o matutino. “O Carlos foi o primeiro âncora da TV brasileira, né? Quando a gente veio aqui para Brasília, ele veio do Bom Dia São Paulo para abrir o Bom Dia Brasil. Foi o primeiro apresentador e âncora”, recordou.
Legado
O amigo e jornalista Paulo José Cunha ressaltou que o colega deixa um legado de “retidão profissional e rigoroso cuidado com a precisão da informação”.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, manifestou pesar em nota oficial. “Como apresentador, repórter e analista, marcou gerações com sobriedade e capacidade de traduzir a complexidade dos fatos com clareza para a sociedade. Neste momento de tristeza, manifestamos sinceras condolências aos familiares, amigos e a toda a comunidade jornalística, neste momento de dor. Que sua memória e sua contribuição ao jornalismo brasileiro permaneçam como legado às novas gerações”.
Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), expressou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Monforte, afirmando que a contribuição do jornalista deve permanecer como uma referência para as novas gerações.
O ex-governador e deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) lamentou a “triste notícia” e descreveu Monforte como um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro. “Minha solidariedade à família, aos amigos e a todos os jornalistas que tiveram o privilégio de conviver e aprender com ele”.
“Sério, discreto e competente. Tive a alegria de estar inúmeras vezes com ele, e hoje recebo a triste notícia de seu falecimento. Meus sentimentos, que Deus o tenha”, disse o ex-presidente Michel Temer em mensagem à esposa do jornalista.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) também emitiu nota de pesar.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Zé Paulo Cardeal/Memória Globo












