A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou um esquema criminoso de alcance nacional que utilizava a imagem e a voz de personalidades públicas forjadas por meio de deepfake para vender falsos medicamentos contra disfunção erétil. Entre os alvos que tiveram seus rostos e vozes manipulados, sem autorização, por inteligência artificial estão os cantores Almir Sater e Fagner, além do jornalista Alexandre Garcia.
Nos vídeos fraudulentos, eram simulados depoimentos em que os famosos relatavam sofrer supostamente de disfunção erétil e recomendavam um produto de aparente origem natural. Induzidas pela credibilidade dos nomes envolvidos, vítimas no DF e em diversos estados brasileiros compravam o suplemento “Erec Power” pela internet.
Em uma rápida pesquisa na internet, é possível encontrar o produto sendo comercializado em diversos sites. Segundo os anúncios, trata-se de um “suplemento natural em gotas desenvolvido especialmente para aumentar a energia sexual masculina, melhorar o desempenho e restaurar a autoconfiança com resultados rápidos e eficazes”. Contudo, não há registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A falta de regulamentação liga o alerta das autoridades para o risco à saúde dos consumidores. Ao Correio, o delegado-chefe da DRCC, João Guilherme, destacou que os insumos apreendidos ainda passam por análise e reforçou os perigos da comercialização clandestina.
“Uma coisa que chama atenção é que ele comercializava esses produtos sem autorização legal, sem saber a natureza e os efeitos, se trazem ou não malefícios para a saúde, o que traz um risco sério à saúde pública. A gente alerta a população para não comprar remédios sem conhecer devidamente as propriedades e sem a devida autorização de venda”, destaca o delegado.
Alcance nacional
A Operação Ilusão Digital, conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC/Decor), cumpriu mandado de busca e apreensão em Guarulhos (SP). Na ação, os policiais localizaram um dos suspeitos, que confessou a autoria dos conteúdos manipulados e detalhou o funcionamento da fraude.
Ainda segundo o titular da DRCC, o esquema afetou consumidores em todo o país. “Constatamos algumas vítimas no Distrito Federal, mas, com a característica de todo crime cibernético, são crimes multilocais, com vítimas no Brasil todo. Ontem mesmo constatamos que a comercialização ocorria em todo o território nacional”, explicou João Guilherme.
Os envolvidos na fraude poderão responder por estelionato qualificado praticado por meio eletrônico, comercialização ilegal de produtos medicinais, associação criminosa e falsidade ideológica. As penas combinadas podem alcançar até 28 anos de reclusão.
O Correio tenta contato com os profissionais que tiveram sua imagem vinculada ao golpe, mas ainda não obteve retorno.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Divulgação/PCDF











