A Reserva Ecológica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou oficialmente a ser a Estação Ecológica do Roncador. A mudança foi estabelecida pela Portaria nº 2.985, publicada nesta segunda-feira (13/7) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e incorpora a área ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC).
Através de um acordo de cooperação entre as instituições, foi decidido que a gestão será compartilhada entre o IBGE e o ICMBio.
A unidade fica na região do Jardim Botânico, próxima à Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasília (UnB), e tem cerca de 1.389 hectares de Cerrado preservado. Criada em dezembro de 1975, a área é considerada uma das principais referências brasileiras em pesquisa ecológica de longo prazo e monitoramento ambiental do bioma. Ao longo de cinco décadas, a reserva consolidou-se como um centro estratégico para estudos sobre biodiversidade, mudanças climáticas, uso do fogo e conservação ambiental.
A nova categorização transforma a antiga Reserva Ecológica do IBGE em uma Estação Ecológica, modalidade de unidade de conservação voltada à proteção integral dos ecossistemas e ao desenvolvimento de pesquisas científicas. A medida mantém a área com sua função inicial de produção de conhecimento e amplia sua inserção na política nacional de conservação da natureza.
Segundo o ICMBio, a Estação Ecológica do Roncador terá como objetivos principais a preservação dos ecossistemas naturais do Cerrado e a promoção de pesquisas científicas sobre a fauna, a flora e os impactos das atividades humanas no meio ambiente. A unidade também passa a seguir os instrumentos de gestão previstos para as áreas integrantes do SNUC, como plano de manejo e mecanismos permanentes de governança ambiental.
Reconhecida nacional e internacionalmente, a área integra desde 1993 o núcleo da Reserva da Biosfera do Cerrado, reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O local abriga experimentos científicos, incluindo estudos sobre o comportamento do fogo no Cerrado e seus efeitos sobre a vegetação, os animais e a emissão de gases de efeito estufa. Os dados produzidos na reserva são utilizados em pesquisas sobre mudanças climáticas e conservação ambiental.
De acordo com a portaria, a área permanece sendo do IBGE. Os limites da estação ecológica foram definidos a partir de imagens de satélite, dados cartográficos produzidos pelo próprio instituto e referências do Sistema Geodésico Brasileiro. A gestão compartilhada entre IBGE e ICMBio deverá ser formalizada por meio de instrumento de cooperação específico entre os órgãos.
A mudança ocorre no ano em que a reserva completa 50 anos de existência e reforça o papel da área como um dos mais importantes laboratórios naturais para pesquisa e conservação do Cerrado no País.
*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates
Fonte Correio Braziliense
Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias











