Pacientes se queixam que sintomas de dengue demoram a passar

DF contabiliza 109 mortes. Outros 52 óbitos estão sendo investigados, de acordo com a SES. A febre, que é uma das principais alterações, costuma baixar a partir do quinto dia, mas isso nem sempre acontece

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Apenas em 2024, o Distrito Federal já contabiliza 109 mortes por dengue, de acordo com o portal de informações InfoSaúde. Outros 52 óbitos estão sendo investigados pela pasta. Os casos prováveis da doença somam 137,5 mil, considerando-se moradores do DF. Os dados foram atualizados nessa segunda-feira (11/1) pela Secretária de Saúde do DF (SES-DF).

A febre alta e de início repentino é uma das primeiras manifestações do vírus da doença no organismo humano. Pacientes relatam que, apesar de ser o primeiro sinal, a febre é o mais marcante, além de geralmente estar associada a dores atrás dos olhos, na cabeça, e nas articulações.

No Hospital de Campanha da FAB, em Ceilândia, Lucas Daniel Alves, de 25 anos, faz o hemograma pela segunda vez após ter sido diagnosticado, na última quinta-feira, quando foi ao HCamp. Nos últimos dois dias, os sintomas se intensificaram. “Estou me cuidando em casa, tomando água de coco, dipirona e paracetamol, mas continuo com febre por volta de 40°C. Para piorar, tem a diarreia e a dor de cabeça”, contou o morador do Sol Nascente.

É comum, nos casos de dengue que, a partir do quinto dia de sintomas, como é o caso de Lucas, a temperatura comece a baixar. No entanto, o fim do quadro de febre não é o mesmo que estar curado da infecção pelo vírus, que ainda pode avançar para estágios mais graves.

Complicações renais

“Tinha passado o dia me sentindo ótima, mas, por volta das quatro horas da manhã, acordei pedindo medicação para o meu marido”, relatou Eva Fernandes de Oliveira Felix, 50, enquanto aguardava por uma consulta no HCamp. Assim como ela, seu filho, Ellyton Fernandes de Araujo, 15, também começou a se sentir mal na última quinta-feira.

“Até então, estava segurando a onda em casa com dipirona e água, principalmente, mas chega um momento em que não dá mais. Assim que a febre explodiu, começou a dor no corpo, e meu caso foi agravando. Vieram a coceira na pele e essas manchas vermelhas”, indicou a moradora do Sol Nascente. Eva destacou que sua preocupação aumentou porque tem apenas um rim. “O meu medo maior é a dor no abdômen, tenho receio de a dengue comprometer a função renal”, disse a enfermeira.

Dores abdominais são uma condição geralmente classificada como sinal de alerta da dengue, porque, nos casos críticos, a arbovirose pode causar insuficiência renal crônica. A enfermeira informou à reportagem que esperou cerca de três horas no HCamp para passar pela consulta médica e que o atendimento foi aquém do esperado. “Pedi para fazer o hemograma por conta da questão da insuficiência renal, mas não me foi passado nenhum exame. Foi explicado que o meu caso é de dengue, mesmo sem o teste (para verificar). Me disseram que a doença já está na fase final e que, se eu piorasse, era para voltar”, relatou, preocupada. “Eu, que estava com a pulseira amarela fui atendida, o meu filho estava de pulseira verde e não passou nem pela consulta”, completou.

Eva relembrou que a assistência prestada foi semelhante quando levou a namorada do filho, Bianca Aila, 16, ao Hcamp. “Eu trouxe minha nora há duas semanas aqui, ela chegou passando muito mal, desmaiando mesmo, e não fizeram o teste. Mesmo que digam que não tem necessidade, isso não existe, não adianta medicar a pessoa e depois pedir para ela voltar para casa”, opinou a enfermeira.

Questionada, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) informou, em nota, que a aplicação dos testes segue protocolos estabelecidos conforme quadro clínico e tempo de início dos sintomas. “O diagnóstico dos pacientes também se dá pelos aspectos clínicos da doença e por exames complementares e de triagem realizados nas unidades de saúde (testes rápidos, hemograma, bioquímica, dentre outros)”, informou a pasta.

Reforços

Para reforçar as ações de combate à dengue, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) recomendou, na última semana, que a SES-DF nomeasse 2.398 agentes comunitários de saúde (ACS) e 832 agentes de vigilância ambiental em saúde (AVAS). Essa é a quantidade de cargos vagos no quadro de funcionários da pasta, de acordo com o Painel da Transparência.

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) já havia entrado com uma ação para que fosse realizado o concurso e as nomeações para substituir os mil agentes temporários. No certame realizado, foram aprovados 5.969 candidatos para AVAS e 5.680 para ACS.

Sobre as nomeações, a Secretaria de Saúde informou ao Correio que responderá ao órgão de controle dentro do prazo estabelecido.

Em fevereiro, houve uma audiência de conciliação entre MPDFT, GDF e Sindicato dos Agentes de Vigilância Ambiental em Saúde e Agentes Comunitários de Saúde (SINDIVACS-DF). Ficou estabelecido que o MPDFT e o sindicato apresentarão um cronograma de nomeações para avaliação do GDF.

Por Giulia Luchetta do Correio Braziliense

Foto: Giulia Luchetta/CB/DA.Press / Reprodução Correio Braziliense